Quem somos

Quem somos
A turma mais top do Brasil

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

UTILIZAÇÃO DE PLASMA ELÉTRICO NÃO TÉRMICO EM APLICAÇÕES ANTIMICÓTICAS

       O plasma não térmico de ar comprimido é um agente antimicótico possível para erradicar  fungos em geral. Em particular tem-se interesse na paracoccidioidomicose (PCM)  por esta ser causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis, é  considerada a infecção fúngica mais importante da América Latina, ocorrendo em regiões subtropicais e tropicais. O Brasil é considerado um centro endêmico dessa doença, com maior prevalência nas regiões sul, sudeste e centro-oeste (MALLUF, MLF 2003) a exposição direta ao jato de plasma que não oferecerá efeitos sistêmicos para o paciente, que são comuns como a toxicidade hepática dada por antimicóticos convencionais (FDA 2013). Em nosso tratamentos de vanguarda, faz-se a aplicação do jato de plasma in vitro em placas colonizadas.
Elucidaremos sobre o plasma de uma maneira simples e didática: Toda faísca é um tipo de plasma é um gás ou mistura de gases ionizados. O termo “plasma” foi pioneiramente empregado na física, para referir-se a um gás parcial ou totalmente ionizado, pelo cientista americano Irving Langmuir em 1929 (LAROUSSI, 2002).
O termo “ionizado” significa que pelo menos um elétron não está ligado a um átomo ou molécula, convertendo-os em íons carregados positivamente. Conforme a temperatura de um ambiente é elevada, as espécies neutras tornam-se mais enérgicas e a matéria é transformada na sequência: sólido, líquido, gás e, finalmente, plasma, o que justifica o fato de ser popularmente denominado de “quarto estado da matéria” (ALKAWAREEK et al, 2012).
Estima-se que mais de 99% da matéria conhecida do universo encontra-se em tal estado por conta de grande estrelas maciças no espaço. A definição preliminar de plasma está restrita aos plasmas gasosos, que consistem em uma mistura de elétrons, íons e partículas neutras, em neutralidade elétrica (equilíbrio entre as cargas negativas e positivas – propriedade conhecida como quase neutralidade) e com certo grau de condutividade elétrica, em contraste com um gás comum, devido à presença de cargas elétricas livres em seus constituintes. Tais cargas são geradas mediante processos de ionização por descargas elétricas, ou por processos de colisão de gases em temperaturas elevadas.
Em geral, os portadores de carga negativa em um plasma são os elétrons, enquanto os portadores de carga positiva são os íons (plasma eletropositivo). Todavia, para gases como o oxigênio (O2), por exemplo, ocorre também a formação de um segundo portador de carga negativa, o íon negativo, uma vez que estes gases têm uma grande capacidade de “capturar” elétrons que possuem baixas energias. Este fenômeno é conhecido por captura de elétrons e os plasmas em que este fenômeno ocorre são denominados eletronegativos.
Ambos os Plasmas podem ser gerados em pressões atmosférica (760 Torr ou mmHg) ou subatmosférica. Dependendo da potência aplicada ao plasma, este pode ser considerado como não-térmico (baixa temperatura, da ordem de ambiente a 1.000ºC) ou térmico (temperaturas acima de 1.000ºC). O uso de plasmas subatmosféricos para a área biológica é frequente em esterilização, porém, o custo dos equipamentos (sistema de vácuo, controle de fluxo e pressão etc.) para sua geração é elevado, o que muitas vezes não justifica o investimento.
 Os plasmas atmosféricos  reduzem bastante o custo do equipamento uma vez que necessitam apenas do controle do fluxo de entrada do gás e dos parâmetros da fonte de excitação do plasma (como frequência e potência). Um outro parâmetro importante a ser considerado para plasmas atmosféricos é a geometria dos eletrodos. Atualmente diversas concepções têm sido utilizadas como por exemplo descargas de barreira dielétrica (DBD), micro-plasmas, jatos de plasma e descargas de arco deslizante (gliding arc) (LAROUSSI, 2002). Cada geometria possui uma capacidade de ionização, geração de espécies reativas e de transferência de calor.
Esquema de produção de plasma por um jato de gás ou ar comprimido:



Foto: Chuck Thomas/Old Dominion University



Geralmente avalia-se qual a melhor geometria para uma dada aplicação. Plasmas elétricos são utilizados para inúmeras finalidades dentro da área médica, como: melhorar a biocompatibilidade de materiais (YASUDA, 1982), tais como lentes de contato, próteses vasculares, cateteres; esterilização de materiais em um período de tempo menor em relação às metodologias convencionais, como exposição ao óxido de etileno, autoclavagem e além de utilizações na cicatrização de feridas, coagulação sanguínea, proliferação celular, incisões cirúrgicas, desinfecção local de tecidos, regeneração tecidual, tratamento de doenças de pele e na inativação de biofilmes (BOGAERTS et al, 2002; KONG, 2009; LAROUSSI, 2009; MORGAN, 2009). Sendo uma opção para uso em materiais que não podem ser submetidos a altas temperaturas e ou pressões atmosféricas aumentadas.
A ação esterilizante do plasma em relação a fungos já foi descrita pela exposição de morangos ao feixe de plasma não térmico. (MISRA N.N et al. 2014).
A utilização do plasma frio não ocasiona destruição do tecido biológico cutâneo como já descrita em inúmeros trabalhos científicos, também comprovada pela aplicação nos tecidos biológicos sensíveis  dos morangos estudados por MISRA N.N et al. 2014).
Além do morango a ação esterilizante pode ser expandida para a inativação de fungos e outros microorganismos cuja terapia convencional ainda não é satisfatória.
PARACOCO BRASILIENSES
A paracoccidioidomicose (PCM) é uma micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasilienses, é considerada a infecção fúngica mais importante da América Latina e 80% dos casos da doença ocorrem no Brasil. (MALLUF, MLF 2003)
As estimativas mostraram em 2001 que cerca de 10 milhões de pessoas foram infectadas em toda a América do Sul. Sendo mais em  homens com idade produtiva. Os órgãos mais afetados pela PCM são os pulmões (PALMEIRO et al., 2005)
A infecção pode ocorrer  por meio de inalação acidental do patógeno pelo hospedeiro, que infecta principalmente os pulmões podendo espalhar-se por todo o corpo, causando lesões mucocutâneas e danos aos órgãos internos (ref). É caracterizada como altamente relevante para a saúde pública, suas manifestações clínicas resultam em deficiências físicas irreversíveis incapacitando o indivíduo, geralmente em sua idade que seria a  mais produtiva(PALMEIRO et al., 2005)

Dentro deste viés, a ação esterilizante fungicida do feixe de plasma não-térmico de ar comprimido pode ser uma solução para inativação do fungo causador da (PCM) dentre outros, se tornando uma nova alternativa para a fisioterapia e a área médica dermatológica. 

REFERÊNCIAS

Relatório de Farmacovigilância do Nizoral® (cetoconazol) relativo ao período de 01 de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012.
Site da Agência Regulatória Americana:http://www.fda.gov/drugs/drugsafety/ucm362415.htm  Acesso em 21/10/2013

Maluf MLF, Pereira SRC, Takahachi G, Svidzinski TIE. Prevalência de Paracoccidioidomicose-infecção determinada através de teste sorológico em doadores de sangue na região noroeste do Paraná, Brasil. Rev Soc Bras Med Trop 2003; 36:11.

LAROUSSI, M. Low-Temperature Plasmas for Medicine? IEEE TRANSACTIONS ON PLASMA SCIENCE, VOL. 37, NO. 6, JUNE 2009. Disponível em: http://ieeexplore.ieee.org/xpl/login.jsp?tp=&arnumber=4815460&url=http%3A%2F%2Fieeex plore.ieee.org%2Fiel5%2F27%2F5062427%2F04815460.pdf%3Farnumber%3D4815460. Visitado em Novembro de 2013.
LIEBERMAN, M.A.; LICHTENBERG, A.J. Principles of Plasma Discharges and Materials Processing, 2ª edição, New York: Wiley, 2005. 757p. MA, Y.; ZHANG, G.; SHI, X.; XU, G.; YANG, Y. Chemical mechanisms of bacterial inactivation using dielectric barrier discharge plasma in atmospheric air. IEEE Trans Plasma Sci 36: 1615–1620 (2008). Disponível em: http://ieeexplore.ieee.org/xpl/login.jsp?tp=&arnumber=4460901&url=http%3A%2F%2Fieeexplore.ieee.org%2Fiel5%2F27%2F4598958%2F04460901.pdf%3Farnumber%3D44609Visitado Março de 2013.
MOISAN, M.; BARBEAU, J.; CREVIER, M. C.; PELLETIER, J.; PHILIP, N. et al. Plasma sterilization. methods mechanisms. Pure and Applied Chemistry 74: 349–358 (2002). Disponível em: http://ta.mui.ac.ir/images/stories/10.pdf. Visitado em Fevereiro de 2013
 MORGAN, M. M. Atmospheric pressure dielectric barrier discharge chemical and biological applications. Int. J. Phys. Sci. Vol. 4 (13) pp. 885-892, December, 2009. Disponível em: http://www.academicjournals.org/journal/IJPS/articleabstract/B1DBE9921525. Visitado em Fevereiro de 2014.
Fonte: Misra N.N., Patil S., Moiseev T., Bourke P., Mosnier J.P., Keener K.M., Cullen P.J., "In-package atmospheric pressure cold plasma treatment of strawberries", 2014, Journal of Food Engineering, Vol. 125, pagg. 131-138. Further info: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0260877413005384
Maluf MLF, Pereira SRC, Takahachi G, Svidzinski TIE. Prevalência de Paracoccidioidomicose-infecção determinada através de teste sorológico em doadores de sangue na região noroeste do Paraná, Brasil. Rev Soc Bras Med Trop 2003; 36:11.

PALMEIRO, M.; CHERUBINI, K.; YURGEL, L. S. Paracoccidioidomicose – Revisão da Literatura. Scientia Medica, v. 15, n. 4, p. 274-278, out./dez. 2005.


Santo AH. Tendência da mortalidade relacionada à Paracoccidioidomicose, estado de São Paulo, Brasil, 1985 a 2005: estudo usando causas múltiplas de morte. Rev Panam Salud Publica 2008; 23:313-324.       

 [ Links ]
Restrepo A, McEwen JG, Castaneda E. The habitat of Paracoccidioides brasiliensis: how far from solving the riddle? Med Mycol 2001; 39:233-241.        
 [ Links ]
Shikanai-Yasuda MA, Telles Filho FQ, Mendes RP, Colombo AL, Moretti ML. Consenso em Paracoccidioidomicose. Rev Soc Bras Med Trop 2006; 39: 297-310.  [ Links ]
Franco MF, Montenegro MRG, Mendes RP, Marcos SA, Dillon NL, Mota NGS. Paracoccidioidomycosis: a recently proposed classification of its clinical forms. Rev Soc Bras Med Trop 1987; 20:129-132.        
 [ Links ]
Maluf MLF, Pereira SRC, Takahachi G, Svidzinski TIE. Prevalência de Paracoccidioidomicose-infecção determinada através de teste sorológico em doadores de sangue na região noroeste do Paraná, Brasil. Rev Soc Bras Med Trop 2003; 36:11.
        
Links ]
Gobato Ricardo, et al Maio, 2015;
arXiv:1505.05221 [physics.ed-ph]

(or arXiv:1505.05221v1 [physics.ed-ph] for this version)








 [H1]Falta uma conclusão para seu texto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário