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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Ozônioterapia no tratamento de lesões cutâneas experimentais induzidas por Paracoccidioides brasiliensis.

                                       

                                                                                                   Rodrigo Daniel Genske

RESUMO

Paracoccidioidomicose é uma doença causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis, encontrada no ambiente na forma filamentosa e sob influencia da temperatura torna-se patogênica. Representa a oitava causa de morte no Brasil, por doença infecto-contagiosa, Configura a micose sistêmica mais prevalente na America Latina, apresentando elevado numero de eventos no Paraná. O ozônio tem ganhado espaço na medicina, conhecido por sua capacidade antimicrobiana e desinfetante, vem sendo utilizado como adjuvante em alguns tratamentos, devido ao poder de ativação de respostas imunes capazes de destruir bactérias, fungos e vírus.

INTRODUÇÃO          

O fungo Paracoccidioides brasiliensis (Pb) é o agente causador da Paracoccidioidomicose (PCM) (LACAZ et al. 2002), a micose sistêmica mais prevalente na América Latina (FAGUNDES et al. 2006) sendo a oitava causa de morte no Brasil dentre as doenças infecto - parasitarias (COUTINHO,2002).
            Trata-se de um fungo que apresenta dimorfismo térmico, em temperaturas entre 35 - 37°C apresenta-se na forma de leveduras, correspondendo a sua forma parasitária (MARQUEZ, et al. 2007).
Após a inalação do Pb, ocorre inicialmente, a instalação do fungo nos alvéolos pulmonares podendo causar infecção nesse órgão, ou ainda, através da via linfo-hematogênica pode  disseminar-se para outros órgãos (ARAUJO, et al,2003), causando lesões mucocutâneas e em órgãos internos (FRANCO, 1987).
Por depender de fatores ligados a virulência do agente, volume inalado de inoculo e resposta imune do hospedeiro, assim que o Pb se instala no pulmão, poderá ser eliminado, permanecer quiescente ou evoluir para a patologia progressiva (MARQUES,et al. 2007).
A paracoccidioidomicose é observada predominantemente na faixa etária entre os 30 e 50 anos, embora possa acometer todas as idades (Chambô FILHO, et al. 2000). Manifestações clínicas são principalmente observadas em etilistas e fumantes crônicos que apresentam condições nutricionais, socioeconômica e de higiene precárias (ARAUJO, et al.2003). Na puberdade, a incidência da PCM é igual em ambos os sexos, na vida adulta ocorre predominância nos homens, devido a proteção ofertada pelos estrogênios da mulher adulta. (Chambô FILHO, et al. 2000).
A PCM é classificada clinicamente como aguda (juvenil) ou crônica (adulta). A forma juvenil acomete geralmente pessoas com idade inferior a 30 anos e atinge geralmente órgãos do sistema fagocítico mononuclear, como o caso dos gânglios linfáticos, fígado, Baço e medula óssea, o que a torna a forma mais grave da doença (SANTOS, et al. 2003). A Forma crônica soma cerca de 90% dos casos de PCM, tem como principais órgãos alvo os pulmões, trato respiratório superior, mucosa oral e pele, predominando no sexo masculino próximo da quarta década (Yasuda & Restrepo, et al. 1996). Mesmo com adequado tratamento, a forma crônica pode deixar seqüelas (SANTOS, et al. 2003).
A lesão cutânea encontrada na PCM é originaria principalmente da disseminação do fungo pela via hematogência, embora em alguns casos possa ser causada por inoculação do fungo diretamente na pele. As lesões que originam da disseminação hematogênica do fungo são múltiplas e predominantes, apresentando morfologia variada, que evoluem para a forma ulcerada (MARQUES, et al. 2007). Lesão cutâneo-mucosa é uma das formas clínicas crônica mais frequentemente encontrada na PCM, cujos sítios mais frequentes são a mucosa oral, língua, gengiva, palato mole, faringe, mucosa nasal e laringe (ARAUJO, et al. 2003).
O tratamento da PCM é o aspecto que gera muita preocupação, embora drogas derivadas dos sulfamidicos e alfotericina B sejam empregas no combate a PCM, são relatados inúmeros casos de recaída. O comprometimento imunológico durante o tratamento por essas drogassugere um fator limitante para a cura (MARCONDES, et al.1984).
O ozônio utilizado medicinalmente é obtido a partir do oxigênio puro, justamente para evitar a presença de subprodutos tóxicos de outros gases. Essa conversão é feita através de geradores de ozônio, onde deve ser feito no momento do uso em decorrência da labilidade do gás. Esses geradores são baseados no sistema corona, inicialmente idealizados por Werner Siemens, fundador do conglomerado industrial que leva seu nome até os dias de hoje. O ozônio utilizado com fins medicinais provém da mistura de ozônio e oxigênio (O3 / O2 ) onde  o ozônio atinge no máximo 5% do total. Hoje um das ações mais reconhecidas do ozônio é a germicida (PEREIRA et al, 2006 e MARX, 2002).
O ozônio usado no tratamento de infecções é documentado desde o século XIX, podendo ser aplicado de modo tópico, subcutâneo, por via muscular, por via venosa e/ou retal atua contra as bactérias e os fungos que não apresentam sistemas de proteção à agressão oxidativa.
O efeito sobre a capacidade de esterilização de água é aceito mundialmente. A ausência de resíduo caracteriza o tratamento com ozônio como preferencial na produção de água potável. Nos dias atuais, existem diversas estações de tratamento de água com ozônio espalhadas por todo o mundo. (PEREIRA et al, 2006).
Outro ponto importante que devemos levar em consideração é a ação oxidativa. Podemos entender como oxidação, a capacidade que uma substância tem, quando ocorre uma reação química, de doar um elétron para outra substância. Alguns exemplos de substâncias oxidantes são: a vitamina C, água oxigenada, peróxido de hidrogênio, o permanganato de potássio, e o ozônio. Tanto as terapias oxidativas ou bio-oxidativas utilizam a propriedade das substâncias de oxidarem outras produzindo algum tipo de benefício terapêutico. Sendo assim, entendemos que a ozonioterapia é uma das terapias oxidativas existentes (ALBERTO, 2011)
O ozônio é aproximadamente 10 vezes mais solúvel que o oxigênio, o mesmo ocorre com sua capacidade de difusão e penetração tecidual (BOCCI, 2006 e ALBERTO, 2011). Quando entra em contato com um tecido biologicamente ativo o ozônio reage imediatamente com numerosas biomoléculas que juntas formam verdadeiros sistemas de tamponamento antioxidante.
Ainda sobre o ozônio, sabe-se que é muito conhecido por sua capacidade antimicrobiana, desinfetante e esterilizante. A ozônioterapia tem ganhado espaço na medicina, sido utilizado como adjuvante de alguns tratamentos devido a seu efeito metabólico em tecidos inflamados, ativando a resposta imune capaz de destruir bactérias, fungos e vírus.
As propriedades químicas apresentadas pelo ozônio são usadas no tratamento de feridas infectadas, inflamações cutâneas e ulcerações, além de tratar infecções de alguns órgãos quando a antibioticoterapia não consegue controlar ou eliminar bactérias resistentes (Bialoszewski, et al. 2011).

O efeito do ozônio sobre o tecido aplicado é baseado na oxidação de materiais biológicos por ataque direto ao microorganismo, exibindo efeitos sobre o sistema imunológico, modulando atividade fagocítica (Tasdemir, et al. 2013)Nesse contexto, o presente trabalho se propõe avaliar o uso da ozônioterapia no modelo experimental de lesão cutânea induzida por Paracoccidioides brasiliensis.


REFERÊNCIAS:
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Bialoszewski  D, Pietruczuk  P, Kalicinska  A, Bocian E, Czajkowska M, Bukoska  B, Tyski S. (2011).  Activity of ozonated water and ozone against staphylococcus aureus and pseudomonas aeruginosa biofilms medical science monitor. 17 (11), 339-344.

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