Rodrigo Daniel Genske
RESUMO
Paracoccidioidomicose é uma doença
causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis, encontrada no ambiente na forma filamentosa e
sob influencia da temperatura torna-se patogênica. Representa a oitava causa de
morte no Brasil, por doença infecto-contagiosa, Configura a micose sistêmica
mais prevalente na America Latina, apresentando elevado numero de eventos no
Paraná. O ozônio tem ganhado espaço na medicina, conhecido por sua capacidade
antimicrobiana e desinfetante, vem sendo utilizado como adjuvante em alguns
tratamentos, devido ao poder de ativação de respostas imunes capazes de
destruir bactérias, fungos e vírus.
INTRODUÇÃO
O fungo Paracoccidioides
brasiliensis (Pb) é o agente causador da Paracoccidioidomicose
(PCM) (LACAZ et al. 2002), a micose
sistêmica mais prevalente na América Latina (FAGUNDES et al. 2006) sendo a oitava causa de morte no Brasil dentre as
doenças infecto - parasitarias (COUTINHO,2002).
Trata-se de um fungo que apresenta
dimorfismo térmico, em temperaturas entre 35 - 37°C apresenta-se na forma de
leveduras, correspondendo a sua forma parasitária (MARQUEZ, et al. 2007).
Após a inalação do Pb, ocorre inicialmente,
a instalação do fungo nos alvéolos pulmonares podendo causar infecção nesse
órgão, ou ainda, através da via linfo-hematogênica pode disseminar-se para outros órgãos (ARAUJO, et al,2003), causando lesões
mucocutâneas e em órgãos internos (FRANCO, 1987).
Por depender de fatores ligados a
virulência do agente, volume inalado de inoculo e resposta imune do hospedeiro,
assim que o Pb se instala no pulmão, poderá ser eliminado, permanecer
quiescente ou evoluir para a patologia progressiva (MARQUES,et al. 2007).
A paracoccidioidomicose é observada
predominantemente na faixa etária entre os 30 e 50 anos, embora possa acometer
todas as idades (Chambô FILHO, et al.
2000). Manifestações clínicas são principalmente observadas em etilistas e
fumantes crônicos que apresentam condições nutricionais, socioeconômica e de
higiene precárias (ARAUJO, et al.2003). Na puberdade, a
incidência da PCM é igual em ambos os sexos, na vida adulta ocorre
predominância nos homens, devido a proteção ofertada pelos estrogênios da mulher
adulta. (Chambô
FILHO,
et al. 2000).
A PCM é classificada clinicamente como
aguda (juvenil) ou crônica (adulta). A forma juvenil acomete geralmente pessoas
com idade inferior a 30 anos e atinge geralmente órgãos do sistema fagocítico
mononuclear, como o caso dos gânglios linfáticos, fígado, Baço e medula óssea,
o que a torna a forma mais grave da doença (SANTOS, et al. 2003). A Forma crônica soma cerca de 90% dos casos de PCM,
tem como principais órgãos alvo os pulmões, trato respiratório superior, mucosa
oral e pele, predominando no sexo masculino próximo da quarta década (Yasuda & Restrepo, et al. 1996). Mesmo com adequado
tratamento, a forma crônica pode deixar seqüelas (SANTOS, et al. 2003).
A lesão
cutânea encontrada na PCM é originaria principalmente da disseminação do fungo
pela via hematogência, embora em alguns casos possa ser causada por inoculação
do fungo diretamente na pele. As lesões que originam da disseminação
hematogênica do fungo são múltiplas e predominantes, apresentando morfologia
variada, que evoluem para a forma ulcerada (MARQUES, et al. 2007). Lesão
cutâneo-mucosa é uma das formas clínicas crônica mais frequentemente encontrada
na PCM, cujos sítios mais frequentes são a mucosa oral, língua, gengiva, palato
mole, faringe, mucosa nasal e laringe (ARAUJO, et al. 2003).
O tratamento
da PCM é o aspecto que gera muita preocupação, embora drogas derivadas dos
sulfamidicos e alfotericina B sejam empregas no combate a PCM, são relatados
inúmeros casos de recaída. O comprometimento imunológico durante o tratamento
por essas drogassugere um fator limitante para a cura (MARCONDES, et al.1984).
O ozônio utilizado medicinalmente é
obtido a partir do oxigênio puro, justamente para evitar a presença de
subprodutos tóxicos de outros gases. Essa conversão é feita através de geradores
de ozônio, onde deve ser feito no momento do uso em decorrência da labilidade
do gás. Esses
geradores são baseados no sistema corona, inicialmente idealizados por Werner
Siemens, fundador do conglomerado industrial que leva seu nome até os dias de
hoje. O ozônio utilizado com fins medicinais provém da mistura de ozônio e
oxigênio (O3 / O2 ) onde o ozônio atinge
no máximo 5% do total. Hoje um das ações mais reconhecidas do ozônio é a
germicida (PEREIRA et al, 2006 e MARX,
2002).
O ozônio usado no tratamento de
infecções é documentado desde o século XIX, podendo ser aplicado de modo
tópico, subcutâneo, por via muscular, por via venosa e/ou retal atua contra as
bactérias e os fungos que não apresentam sistemas de proteção à agressão
oxidativa.
O efeito sobre a capacidade de
esterilização de água é aceito mundialmente. A ausência de resíduo caracteriza
o tratamento com ozônio como preferencial na produção de água potável. Nos dias
atuais, existem diversas estações de tratamento de água com ozônio espalhadas
por todo o mundo. (PEREIRA et al,
2006).
Outro ponto importante que devemos levar em
consideração é a ação oxidativa. Podemos entender como oxidação, a capacidade
que uma substância tem, quando ocorre uma reação química, de doar um elétron
para outra substância. Alguns exemplos de substâncias oxidantes são: a vitamina
C, água oxigenada, peróxido de hidrogênio, o permanganato de potássio, e o
ozônio. Tanto as terapias oxidativas ou bio-oxidativas utilizam a propriedade
das substâncias de oxidarem outras produzindo algum tipo de benefício
terapêutico. Sendo assim, entendemos que a ozonioterapia é uma das terapias
oxidativas existentes (ALBERTO, 2011)
O ozônio é aproximadamente 10 vezes mais
solúvel que o oxigênio, o mesmo ocorre com sua capacidade de difusão e
penetração tecidual (BOCCI, 2006 e
ALBERTO, 2011). Quando entra em contato com um tecido biologicamente ativo o
ozônio reage imediatamente com numerosas biomoléculas que juntas formam
verdadeiros sistemas de tamponamento antioxidante.
Ainda sobre o ozônio, sabe-se que é muito conhecido por sua capacidade
antimicrobiana, desinfetante e esterilizante. A ozônioterapia tem ganhado
espaço na medicina, sido utilizado como adjuvante de alguns tratamentos devido
a seu efeito metabólico em tecidos inflamados, ativando a resposta imune capaz
de destruir bactérias, fungos e vírus.
As propriedades químicas apresentadas pelo ozônio são usadas no
tratamento de feridas infectadas, inflamações cutâneas e ulcerações, além de
tratar infecções de alguns órgãos quando a antibioticoterapia não consegue
controlar ou eliminar bactérias resistentes (Bialoszewski,
et al. 2011).
O efeito do ozônio sobre o tecido aplicado é
baseado na oxidação de materiais biológicos por ataque direto ao microorganismo,
exibindo efeitos sobre o sistema imunológico, modulando atividade fagocítica (Tasdemir, et al. 2013)Nesse
contexto, o presente trabalho se propõe avaliar o uso da ozônioterapia no
modelo experimental de lesão cutânea induzida por Paracoccidioides brasiliensis.
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