Quem somos

Quem somos
A turma mais top do Brasil

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

OS RISCOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL À RADIAÇÃO

Gisele Yumi Hoshino

Sabe-se que existem efeitos nocivos a saúde humana instigados pela radiação entre elas a radiação provocada pelos raios-X. Contudo sua utilização racional para o diagnóstico, para acompanhamento terapêutico e na confirmação do posicionamento de cateteres dentro da terapia intensiva ainda é insubstituível. Decorrente a essa necessidade e os riscos que os profissionais estão expostos é indispensável medidas de prevenção.
A radiação ionizante é qualquer partícula ou radiação eletromagnética que, ao interagir com a matéria, "arranca" elétrons dos átomos ou de moléculas, transformando-os em íons, direta ou indiretamente (INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES).
Qualquer tipo de radiação interage com corpos, inclusive o humano, depositando neles energia. A forma de interação depende do tipo, da energia da radiação e do meio absorvedor (OKUNO, 2013).
Nesse processo chamado ionização forma-se o par íon negativo e íon positivo. O primeiro é o elétron ejetado e o íon positivo é o átomo que perdeu um elétron. A radiação ionizante pode arrancar qualquer elétron de um átomo se tiver energia maior que o de ligação dele ao átomo. Os fótons de raios X, diferentemente de partículas carregadas, perdem toda ou quase toda energia numa única interação com átomos, ejetando elétron deles que, por sua vez, saem ionizando átomos até pararem (OKUNO,2013).


Existem dois tipos de mecanismos de ação, mecanismo direto, quando a radiação interage diretamente com as moléculas importantes como as de DNA, podendo causar desde mutação genética até morte celular e mecanismo indireto, quando a radiação quebra a molécula da água, formando assim radicais livres que podem atacar outras moléculas importantes (OKUNO, 2013).
Os átomos do nosso corpo estão unidos, formando moléculas, algumas muito pequenas como a molécula da água, e outras muito grandes como a molécula de DNA. Esses átomos estão unidos por forças elétricas. Quando uma partícula ionizante arranca um elétron de um dos átomos de uma molécula do nosso corpo, pode causar sua desestabilização que resulta em quebra da molécula. A sequência dos estágios é: estágio físico em que ocorre a ionização de um átomo em cerca de 10-15 s; estágio físico-químico, quando ocorrem as quebras das ligações químicas das moléculas que sofreram ionização, com duração de uns 10-6 s; estágio químico, quando os fragmentos da molécula se ligam a outras moléculas, com duração de poucos segundos; estágio biológico que pode durar dias, semanas ou até várias dezenas de anos quando surgem efeitos bioquímicos e fisiológicos com alterações morfológicas e funcionais dos órgãos (OKUNO, 2013).
Uma das principais aplicações da radiação ionizante se faz na área da saúde, especialmente no campo dos diagnósticos, como por exemplo, radiografia com filme comum, fluoroscopia, tomografia computadorizada, angioplastia, medicina nuclear e terapia com radiação.Porém, diversos estudos apontam que a interação da radiação com a matéria biológica pode produzir efeitos nocivos para a saúde (INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES).
Os raios-X foi descoberto em 1895 pelo cientista alemão Wilhelm Conrad Roentgen, professor na Universidade de Wuerzburg. Descoberta que lhe proporcionou a obtenção prêmio Nobel em Física em 1901.O funcionamento dos raios-X se dá através de dois eletrodos, com um potencial elétrico acelerador entre eles. Os elétrons emitidos pelo catodo aquecido são atraídos para o anodo, convertendo toda sua energia cinética em calor. Esse é um tipo de radiação semelhante à luz, invisível e com energia suficiente para atravessar corpos opacos, sendo produzida quando os elétrons se movimentam do catodo para o anodo, em um tubo de raios X, por meio da aceleração por uma alta tensão. Com isso ocorre a produção de fótons na ordem de 1% e aumento da temperatura do anodo em 99%, sendo estes fótons a radiação que produz a imagem radiográfica (OKUNO, 2013; COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR, 2011).
O tubo que emite a onda de raios-X é colocado dentro de uma calota protetora revestida de chumbo,devido à radiação produzida pelos fótons que se liberamem todas as direções. É denominada de radiação primária a radiação que é liberada pelo tubo e quando este feixe passa através da pessoa é amenizado há medida em que os fótons se interagem com as estruturas internas do corpo, resultando em diferentes intensidades devido à absorção de feixe de raios-X. Diante disso, qualquer objeto atingido por essa radiação atua como um emissor de radiação, chamada de radiação secundária ou espalhada (COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR, 2011).


Apesar das vantagens no uso dos raios-X, sabe-se que eles podem causar dano biológico ou lesão aos seres humanos (United Nations Scientific Committee on the Effect of Atomic Radiation) (UNSCEAR, 1993).
Dados coletados em países desenvolvidos mostraram que o uso diagnóstico de radiação pode contribuir para uma dose anual per capita de cerca de 1mSv. O número de exames radiológicos junto a procedimentos mais complexos tem crescido em países desenvolvidos, submetendo pacientes e equipe de saúde a doses mais elevadas de radiação. Atualmente, devido a esse aumento houve a preocupação crescente com os efeitos da exposição à radiação. Isto pode ser observado nas recomendações da Comissão Internacional de Proteção Radiológica (InternationalCommission for RadiationProtection, ICRP) (ICRP, 1991).
Através de uma investigação rigorosa por um modelo pré-existente de radiodiagnóstico em uma determinada população com intuito de calcular a melhor estimativa que determine a magnitude do risco de indução do câncer. Como a maioria dos estudos, eles reconhecem que há uma incerteza considerável relacionada a esta estimativa. As doses e os tipos de procedimentos radiológicos ainda geram incertezassobre o modelo de indução do câncer em baixas doses usadas. Provavelmente os procedimentos de radiação médica conduzam a um aumento pequeno na incidência do câncer na população. A dose de raios-X em que há evidência epidemiológica que eleva o risco do câncer é de 10-50 mSv para uma exposição aguda de corpo inteiro (BRENNER, et. al. 2003).
O risco de câncer em baixas doses absorvidas (10-100 mSv) são pouco conhecidas e estudadas. Mesmo que possa haver desvios significativos da linearidade no intervalo de dose relevante 0-100 mSv, não se sabe a magnitude dos riscos que os raios-X podem ocasionar (MATTSSON, 2015).
Os cânceres que se relacionam a exposição à radiação desenvolvem-se muitos anos após o início da exposição, mesmo após a cessação da mesma e os longos períodos de latência dificultam a correlação causal ou o estabelecimento do nexo entre a exposição e a doença, particularmente no caso dos cânceres relacionados ao trabalho (BRASIL, 2011).
Hoje o chumbo é o material padrão usado para blindagem, entanto, as paredes de tijolo ou concreto muitas vezes oferecem proteção suficiente, a parte mais difícil do processo é determinar a quantidade de proteção a radiação necessária. Sistemas de cálculo de níveis da radiação e a blindagem para radiologia variam em diferentes partes do mundo (MARTIN, 2015).

Existem novos estudos que estão sendo avaliados nanocompósitos opticamente transparentes sem chumbo, preparados com tungstênio, com tecnologias de fabricação e com resultados que atenuem a radiação e propriedades ópticas a doses elevadas. Estes materiais poderão ser utilizados na construção de telas de proteção contra os raios-X (ADLIENE, 2015).
Diante do exposto, pela falta de estudos que realmente comprovem a correlação da exposição e suas conseqüências, pela atuação de forma lenta, pelo fato de não se tratar de algo palpável, os riscos da radiação são pouco valorizados, levando com isso, à falta de atenção às normas de radioproteção que são preconizadas, induzindo os profissionais de saúde a exposições desnecessárias.
Apesar dos efeitos nocivos para a saúde que a exposição à radiação pode ocasionar, sua utilização em muitos casos é indispensável, especialmente em terapia intensiva, e por conta disso, é necessário identificar qual o nível de radiação nestas unidades, bem como que efeitos podem ocasionar aos profissionais que estão expostos, para que se possa instituir Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e medidas de radioproteção, medidas simples e pouco onerosas que poderiam ser facilmente implantadas.
Um dos meios de identificação e mensuração da radiação se faz por meio de dosimetria que tem como finalidade determinar o nível de doses de radiação recebida decorrente da exposição profissional. O dosímetro é um dispositivo individual composto de cristais com propriedades termo luminescentes, esses cristais quando aquecidos à uma determinada temperatura emitem luz ultravioleta cuja intensidade é proporcional à dose da radiação que incidiu no dosímetro. Se expostos à radiação, estes cristais acumulam a energia da radiação incidente e a liberam em forma de luz somente quando lidos no laboratório.
REFERÊNCIA BIBILIOGRAFIAS:

ADLIENE, D.; GRISKONIS, E.; VAICIUNAITE, N.; NALIVAIKO, R.P. Evaluation of new transparent tungsten containing nanocomposites for radiation protection screens.  EmoryUniversity. ProtectionDosimetry (2015), pp. 1–4 doi:10.1093/rpd/ncv07. Disponivel em: <http://rpd.oxfordjournals.org> Acesso em: 14 de setembro de 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília (DF); 2001. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/editora/produtos/livros/pdf/02_0388_M1.pdf>Acesso em: 20 de junho de 2015.
BRENNER, D. J; DOLL, R; GOODHEAD, D. T, et al. Cancer risks attributable to low doses of ionizing radiation: assessing what we really know. Proc. Natl. Acad. Sci. USA. 2003, no 100: 13761-13766.
COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR. CNEN-NN-3.01:2011. Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica.  Setembro/2011. Disponível em: <http://www.cnen.gov.br/seguranca/normas/pdf/Nrm301.pdf>. Acessoem: 20 de junho de 2015.
INTERNATIONAL COMMISSION FOR RADIOLOGICAL PROTECTION (ICRP) 1990.Recommendations of the International Commission on Radiological Protection.ICRP Publication 60; Ann. ICRP 21 (1-3) 1991a.Oxford: Pergamon Press.
INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES. Apostila Noções básicas de proteção radiológica. Diretoria de Segurança Nuclear Divisão de Desenvolvimento de Recursos Humanos. Disponível em: <http://www.ipen.gov.br> Acesso em: 20 de junho de 2015. 
MARTIN,C. J. Radiation shielding for diagnostic radiology. Radiation Protection Dosimetry.  Dalhousie University on May 17, 2015. Advance Access published March 25, 2015 pp. 1–6 doi:10.1093/rpd/ncv040 http://rpd.oxfordjournals.org
MATTSSON, S.; NILSSON,M.On the estimation of radiation-induced cancer risks from very low doses of radiation and how to communicate these risks. Radiation Protection Dosimetry Advance Access published March 22, 2015 Radiation Protection Dosimetry (2015), pp. 1–5 doi:10.1093/rpd/ncv037 http://rpd.oxfordjournals.org/

OKUNO, E. Efeitos biológicos das radiações ionizantes: acidente radiológico de Goiânia. Estud. av. [online]. 2013, vol.27, n.77, pp. 185-200.Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142013000100014>. Acesso: 28 de agosto de 2015.

UNSCEAR UNITED NATIONS SCIENTIFIC COMMITTEE ON THE EFFECTS OF ATOMIC RADIATION (UNSCEAR). Sources and Effects of Ionizing Radiation (New York:United Nations), 1993.


Nenhum comentário:

Postar um comentário