Gisele Yumi Hoshino
Sabe-se que existem efeitos
nocivos a saúde humana instigados pela radiação entre elas a radiação provocada
pelos raios-X. Contudo sua utilização racional para o diagnóstico, para
acompanhamento terapêutico e na confirmação do posicionamento de cateteres
dentro da terapia intensiva ainda é insubstituível. Decorrente a essa
necessidade e os riscos que os profissionais estão expostos é indispensável
medidas de prevenção.
A
radiação ionizante é qualquer partícula ou radiação eletromagnética que, ao
interagir com a matéria, "arranca" elétrons dos átomos ou de
moléculas, transformando-os em íons, direta ou indiretamente (INSTITUTO DE
PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES).
Qualquer
tipo de radiação interage com corpos, inclusive o humano, depositando neles
energia. A forma de interação depende do tipo, da energia da radiação e do meio
absorvedor (OKUNO, 2013).
Nesse
processo chamado ionização forma-se o par íon negativo e íon positivo. O
primeiro é o elétron ejetado e o íon positivo é o átomo que perdeu um elétron.
A radiação ionizante pode arrancar qualquer elétron de um átomo se tiver
energia maior que o de ligação dele ao átomo. Os fótons de raios X,
diferentemente de partículas carregadas, perdem toda ou quase toda energia numa
única interação com átomos, ejetando elétron deles que, por sua vez, saem
ionizando átomos até pararem (OKUNO,2013).
Existem dois
tipos de mecanismos de ação, mecanismo direto, quando a radiação interage
diretamente com as moléculas importantes como as de DNA, podendo causar desde
mutação genética até morte celular e mecanismo indireto, quando a radiação
quebra a molécula da água, formando assim radicais livres que podem atacar
outras moléculas importantes (OKUNO, 2013).
Os átomos do
nosso corpo estão unidos, formando moléculas, algumas muito pequenas como a
molécula da água, e outras muito grandes como a molécula de DNA. Esses átomos
estão unidos por forças elétricas. Quando uma partícula ionizante arranca um
elétron de um dos átomos de uma molécula do nosso corpo, pode causar sua
desestabilização que resulta em quebra da molécula. A sequência dos estágios é:
estágio físico em que ocorre a ionização de um átomo em cerca de 10-15
s; estágio físico-químico, quando ocorrem as quebras das ligações químicas das
moléculas que sofreram ionização, com duração de uns 10-6 s; estágio
químico, quando os fragmentos da molécula se ligam a outras moléculas, com
duração de poucos segundos; estágio biológico que pode durar dias, semanas ou
até várias dezenas de anos quando surgem efeitos bioquímicos e fisiológicos com
alterações morfológicas e funcionais dos órgãos (OKUNO, 2013).
Uma
das principais aplicações da radiação ionizante se faz na área da saúde,
especialmente no campo dos diagnósticos, como por exemplo, radiografia com
filme comum, fluoroscopia, tomografia computadorizada, angioplastia, medicina
nuclear e terapia com radiação.Porém, diversos estudos apontam que a interação
da radiação com a matéria biológica pode produzir efeitos nocivos para a saúde
(INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES).
Os raios-X
foi descoberto em 1895 pelo cientista alemão Wilhelm Conrad Roentgen, professor
na Universidade de Wuerzburg. Descoberta que lhe proporcionou a obtenção prêmio
Nobel em Física em 1901.O funcionamento dos raios-X se dá através de dois
eletrodos, com um potencial elétrico acelerador entre eles. Os elétrons
emitidos pelo catodo aquecido são atraídos para o anodo, convertendo toda sua
energia cinética em calor. Esse
é um tipo de radiação semelhante à luz, invisível e com energia suficiente para
atravessar corpos opacos, sendo produzida quando os elétrons se movimentam do
catodo para o anodo, em um tubo de raios X, por meio da aceleração por uma alta
tensão. Com isso ocorre a produção de fótons na ordem de 1% e aumento da
temperatura do anodo em 99%, sendo estes fótons a radiação que produz a imagem
radiográfica (OKUNO, 2013; COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR, 2011).
O tubo que emite a onda de raios-X é
colocado dentro de uma calota protetora revestida de chumbo,devido à radiação
produzida pelos fótons que se liberamem todas as direções. É denominada de
radiação primária a radiação que é liberada pelo tubo e quando este feixe passa
através da pessoa é amenizado há medida em que os fótons se interagem com as
estruturas internas do corpo, resultando em diferentes intensidades devido à
absorção de feixe de raios-X. Diante disso, qualquer objeto atingido por essa
radiação atua como um emissor de radiação, chamada de radiação secundária ou
espalhada (COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR, 2011).
Apesar das vantagens no uso dos raios-X,
sabe-se que eles podem causar dano biológico ou lesão aos seres humanos (United Nations Scientific Committee on the Effect
of Atomic Radiation) (UNSCEAR, 1993).
Dados
coletados em países desenvolvidos mostraram que o uso diagnóstico de radiação
pode contribuir para uma dose anual per capita de cerca de 1mSv. O
número de exames radiológicos junto a procedimentos mais complexos tem crescido
em países desenvolvidos, submetendo pacientes e equipe de saúde a doses mais
elevadas de radiação. Atualmente, devido a esse aumento houve a preocupação
crescente com os efeitos da exposição à radiação. Isto pode ser observado nas
recomendações da Comissão Internacional de Proteção Radiológica (InternationalCommission for
RadiationProtection, ICRP) (ICRP, 1991).
Através de uma investigação rigorosa
por um modelo pré-existente de radiodiagnóstico em uma determinada população
com intuito de calcular a melhor estimativa que determine a magnitude do risco
de indução do câncer. Como a maioria dos estudos, eles reconhecem que há uma
incerteza considerável relacionada a esta estimativa. As doses e os tipos de
procedimentos radiológicos ainda geram incertezassobre o modelo de indução do
câncer em baixas doses usadas. Provavelmente os procedimentos de radiação
médica conduzam a um aumento pequeno na incidência do câncer na população. A
dose de raios-X em que há evidência epidemiológica que eleva o risco do câncer
é de 10-50 mSv para uma exposição aguda de corpo inteiro (BRENNER, et. al.
2003).
O risco
de câncer em baixas doses absorvidas (10-100 mSv) são pouco conhecidas e
estudadas. Mesmo que possa haver desvios significativos da linearidade no
intervalo de dose relevante 0-100 mSv, não se sabe a magnitude dos riscos que os
raios-X podem ocasionar (MATTSSON, 2015).
Os cânceres que se relacionam a exposição
à radiação desenvolvem-se muitos anos após o início da exposição, mesmo após a
cessação da mesma e os longos períodos de latência dificultam a correlação
causal ou o estabelecimento do nexo entre a exposição e a doença,
particularmente no caso dos cânceres relacionados ao trabalho (BRASIL, 2011).
Hoje o chumbo é o material padrão
usado para blindagem, entanto, as paredes de tijolo ou concreto muitas vezes
oferecem proteção suficiente, a parte mais difícil do processo é determinar a
quantidade de proteção a radiação necessária. Sistemas de cálculo de níveis da
radiação e a blindagem para radiologia variam em diferentes partes do mundo
(MARTIN, 2015).
Existem novos estudos que estão sendo avaliados nanocompósitos opticamente transparentes sem chumbo, preparados com tungstênio, com tecnologias de fabricação e com resultados que atenuem a radiação e propriedades ópticas a doses elevadas. Estes materiais poderão ser utilizados na construção de telas de proteção contra os raios-X (ADLIENE, 2015).
Diante do exposto, pela
falta de estudos que realmente comprovem a correlação da exposição e suas
conseqüências, pela atuação de forma lenta, pelo fato de não se tratar de algo
palpável, os riscos da radiação são pouco valorizados, levando com isso, à falta
de atenção às normas de radioproteção que são preconizadas, induzindo os
profissionais de saúde a exposições desnecessárias.
Apesar dos efeitos nocivos
para a saúde que a exposição à radiação pode ocasionar, sua utilização em
muitos casos é indispensável, especialmente em terapia intensiva, e por conta
disso, é necessário identificar qual o nível de radiação nestas unidades, bem
como que efeitos podem ocasionar aos profissionais que estão expostos, para que
se possa instituir Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e medidas de
radioproteção, medidas
simples e pouco onerosas que poderiam ser facilmente implantadas.
Um dos meios de
identificação e mensuração da radiação se faz por meio de dosimetria que tem
como finalidade determinar o nível de doses de radiação recebida decorrente da
exposição profissional. O dosímetro é um dispositivo individual composto de
cristais com propriedades termo luminescentes, esses cristais quando aquecidos
à uma determinada temperatura emitem luz ultravioleta cuja intensidade é
proporcional à dose da radiação que incidiu no dosímetro. Se expostos à radiação, estes cristais
acumulam a energia da radiação incidente e a liberam em forma de luz somente
quando lidos no laboratório.
REFERÊNCIA
BIBILIOGRAFIAS:
ADLIENE, D.; GRISKONIS, E.; VAICIUNAITE, N.;
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nanocomposites for radiation protection screens. EmoryUniversity.
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BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças
relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde.
Brasília (DF); 2001. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/editora/produtos/livros/pdf/02_0388_M1.pdf>Acesso em: 20 de junho de 2015.
BRENNER, D. J;
DOLL, R; GOODHEAD, D. T, et al. Cancer risks attributable to low doses of
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Acad. Sci. USA. 2003, no 100: 13761-13766.
COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR.
CNEN-NN-3.01:2011. Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica. Setembro/2011. Disponível em: <http://www.cnen.gov.br/seguranca/normas/pdf/Nrm301.pdf>. Acessoem: 20
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INTERNATIONAL COMMISSION
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Commission on Radiological Protection.ICRP Publication 60; Ann. ICRP 21 (1-3) 1991a.Oxford: Pergamon
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Acesso em: 20 de junho de 2015.
MARTIN,C. J.
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MATTSSON,
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doses of radiation and how to communicate these risks. Radiation Protection
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Acesso: 28 de agosto de 2015.
UNSCEAR UNITED
NATIONS SCIENTIFIC COMMITTEE ON THE EFFECTS OF ATOMIC RADIATION (UNSCEAR). Sources
and Effects of Ionizing Radiation (New York:United Nations), 1993.





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