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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Diagnóstico de subtipos do vírus do HPV por diferentes técnicas: Biologia Molecular (PCR) e Raman (espectroscopia)

Taciana Rymsza
            A infecção genital pelo Papiloma Vírus Humano (HPV),é considerada uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns em todo o mundo (Delgado, et al., 2011).O HPV é conhecido por ser a causa do câncer de cólo de útero em mulheres e a sua detecção em testes diagnósticos, como também a comparação da eficácia desses testes é de suma importância para o correto diagnóstico e tratamento da infecção por esse vírus.
                 A infecção do papilomavírus humano de alto risco (HPV) representa atualmente o fator de risco mais importante na gênese do carcinoma de cólo uterino. Estudos caso-controle indicam a presença do HPV associado ao câncer cervical com um risco relativo que varia ao redor de 50 a 150 para os chamados genótipos virais de alto risco, principalmente os mais prevalentes,16 e 18. O tipo de HPV 16, de alto risco oncológico, foi considerado pela IARC (Internacional Agency for Research on Cancer) como definitivamente carcinogênico para a raça humana. (Rama, Martins, Derchain, Oliveira, Aldrighi, & Neto, 2005)
                 O câncer cervical representa o segundo tipo de câncer mais comum em mulheres com idades entre 15 e 44 anos.e embora ainda não esteja claro como os tipos de alto risco são a causa dessa neoplasia, estudos indicam que a transformação maligna envolve os produtos dos genes virais E6 e E7, os quais podem exercer seus efeitos interferindo nas proteínas que regulam o crescimento celular  (Rivoire, Capp, Corleta, & Silva, 2001, p. 182).A grande maioria dos infectados não desenvolve doença na sua forma mais agressiva, indicando que somente a infecção pelo HPV não é suficiente para causar câncer. Alguns fatores como, por exemplo, o tabagismo e estado imunológico da paciente podem ser importantes e colaborar para que a neoplasia possa ocorrer segundo Rivoire, Capp, Corleta, & Silva(2001).
                Os fatores de risco clássicos para a neoplasia de cólo de útero são praticamente os mesmos relacionados à infecção pelo HPV. Dentre eles, destacam-se: início precoce das relações sexuais, vários parceiros sexuais ao longo da vida, paridade elevada (partos não cirúrgicos), mulheres jovens, tabagismo, baixo nível socioeconômico, sendo os dois primeiros fatores os mais consistentes. A literatura cita também fatores de risco considerados menores , como uso de anticoncepcional oral, deficiências nutricionais, infecção pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana) e outras infecções genitais causadas por agentes sexualmente transmissíveis como as causadas por Chlamydia trachomatis e Herpes simples virus (Nonnenmacher, Breitenbach, Villa, Prolla, & Bozzetti, 2001)
                Classicamente, a infecção pelo HPV pode ser dividida em três formas distintas: clínica, subclínica e latente. A infecção clínica é facilmente detectada à vista desarmada, como uma verruga. A forma subclínica é a mais freqüente no colo do útero, correspondendo a 80% dos casos, é diagnosticada com o uso do colposcópio, após o uso de ácido acético a 5%. A forma latente é identificada apenas através dos exames de biologia molecular (Castro, Filho, Nascimento, & Xavier, 2008)
                 A introdução do exame de colpocitologia oncótica como teste de rastreamento há cerca de 50 anos resultou em significativa redução dos índices de mortalidade por câncer cervical, ao redor de 50% a 70%. Entretanto, as taxas de mortalidade por câncer de cólo de útero permaneceram inalteradas e até aumentaram em países com poucos recursos para implantação de programas de rastreamento organizados  (Rama, Martins, Derchain, Oliveira, Aldrighi, & Neto, 2005)
                A identificação da infecção por HPV propriamente dita inclui os métodos biológicos, como as hibridizações moleculares de ácidos nucléicos, tipo Southern Blot, captura de híbridos, hibridização in situ e reação em cadeia de polimerase.(PCR) ) (Rama, Martins, Derchain, Oliveira, Aldrighi, & Neto, 2005).
 A detecção do DNA do HPV pela técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) é essencial para determinar o genótipo de HPV presente em amostras clínicas de mucosas genitais a fim de avaliar se os HPVs são de alto ou baixo risco para o desenvolvimento de lesões em cólo de útero e câncer cervical. Além disso, a determinação do genótipo do HPV auxilia também na escolha da conduta mais adequada para pacientes infectadas por esse vírus, sendo também importante para estudos epidemiológicos.  (Serravalle, Levi, Oliveira, Queiroz, Dantas, & Studart, 2015).
                A introdução de testes para a detecção do DNA do vírus do HPV, permitiu confirmar a importância do HPV, principalmente dos tipos de alto risco, como o principal fator de risco para o desenvolvimento de neoplasia intra-epitelial cervical e câncer do cólo uterino. (Nonnenmacher, Breitenbach, Villa, Prolla, & Bozzetti, 2001).
                Recentemente a espectroscopia Ramam tem emergido como uma ferramenta para aplicações biomédicas e também pode ser utilizada no diagnóstico do vírus do HPV. Esse método consiste em uma técnica que usa uma fonte monocromática de luz que, ao atingir um objeto, é espalhada por ele, gerando luz de mesma energia ou de energia diferente da incidente. Essa diferença de energia entre a radiação incidente e a espalhada corresponde à energia com que os átomos presentes na área estudada estão vibrando e essa frequência de vibração permite descobrir como os átomos estão ligados, permite saber sobre a geometria molecular, sobre como as espécies químicas presentes interagem entre si e com o ambiente. As técnicas espectroscópicas vibracionais são relativamente simples, reprodutíveis e não destrutivas para o tecido.
                 Considerando, então, o rápido desenvolvimento das técnicas moleculares nos últimos anos, as quais são capazes de detectar as infecções pelo HPV antes mesmo de ser detectado pela análise citopatológica ou manifestação clínica, é interessante que esses métodos sejam utilizados com uma maior frequência e até possam ser associados a outros métodos como a espectroscopia Raman para o diagnóstico do HPV.

Referências Bibliográficas
Castro, T. M., Filho, I. B., Nascimento, V. X., & Xavier, S. D. (2008, 02 01). Detecção de HPV na mucosa oral e genital pela técnica PCR em mulheres com diagnóstico histopatológico positivo para HPV genital. BRAZILIAN JOURNAL OF OTORHINOLARYNGOLOGY , pp. 167 - 171.
Delgado, D., Marín, J. M., Diego, J. d., Guerra, S., González, B., Barrios, J. L., et al. (2011, outubro 27). Human papillomavirus (HPV) genotype distribution in women with abnormal cervical cytology in the Basque Country, Spain. Enferm Infecc Microbiol Clin , pp. 230-235.
Nonnenmacher, B., Breitenbach, V., Villa, L. L., Prolla, J. C., & Bozzetti, M. C. (2001, 11 14). Identificação do Papilomavírus humano por Biologia Molecular em mulheres assintomáticas. Rev Saúde Pública , pp. 95 - 100.
Rama, C. H., Martins, C. M., Derchain, S. F., Oliveira, E. Z., Aldrighi, J. M., & Neto, C. M. (2005, 06 28). Detecção sorológica de anti-HPV 16 e 18 e suas associações com os achados do Papanicolau em adolescentes e mulheres jovens. Rev Assoc Med Bras , pp. 43-47.
Rivoire, W. A., Capp, E., Corleta, H. v., & Silva, I. S. (2001). Bases Moleculares da Oncogênese Cervical. Revista Brasileira de Cancerologia , pp. 179 - 184.
Serravalle, K., Levi, J. E., Oliveira, C., Queiroz, C., Dantas, Á., & Studart, E. (2015, 01 06). Comparação entre duas técnicas de genotipagem do HPV em mulheres com lesão intra-epitelial de alto grau. Rev Bras Ginecol Obstet .

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