Taciana Rymsza
A infecção genital pelo Papiloma
Vírus Humano (HPV),é considerada uma das doenças sexualmente transmissíveis
mais comuns em todo o mundo (Delgado, et al., 2011).O HPV é conhecido por ser a
causa do câncer de cólo de útero em mulheres e a sua detecção em testes
diagnósticos, como também a comparação da eficácia desses testes é de suma
importância para o correto diagnóstico e tratamento da infecção por esse vírus.
A infecção do papilomavírus humano de alto
risco (HPV) representa atualmente o fator de risco mais importante na gênese do
carcinoma de cólo uterino. Estudos caso-controle indicam a presença do HPV
associado ao câncer cervical com um risco relativo que varia ao redor de 50 a
150 para os chamados genótipos virais de alto risco, principalmente os mais
prevalentes,16 e 18. O tipo de HPV 16, de alto risco oncológico, foi
considerado pela IARC (Internacional Agency for Research on Cancer) como
definitivamente carcinogênico para a raça humana. (Rama, Martins, Derchain,
Oliveira, Aldrighi, & Neto, 2005)
O câncer cervical representa o segundo tipo de
câncer mais comum em mulheres com idades entre 15 e 44 anos.e embora ainda não
esteja claro como os tipos de alto risco são a causa dessa neoplasia, estudos
indicam que a transformação maligna envolve os produtos dos genes virais E6 e
E7, os quais podem exercer seus efeitos interferindo nas proteínas que regulam
o crescimento celular (Rivoire, Capp,
Corleta, & Silva, 2001, p. 182).A grande maioria dos infectados não
desenvolve doença na sua forma mais agressiva, indicando que somente a infecção
pelo HPV não é suficiente para causar câncer. Alguns fatores como, por exemplo,
o tabagismo e estado imunológico da paciente podem ser importantes e colaborar
para que a neoplasia possa ocorrer segundo Rivoire, Capp, Corleta, &
Silva(2001).
Os
fatores de risco clássicos para a neoplasia de cólo de útero são praticamente
os mesmos relacionados à infecção pelo HPV. Dentre eles, destacam-se: início
precoce das relações sexuais, vários parceiros sexuais ao longo da vida,
paridade elevada (partos não cirúrgicos), mulheres jovens, tabagismo, baixo
nível socioeconômico, sendo os dois primeiros fatores os mais consistentes. A
literatura cita também fatores de risco considerados menores , como uso de
anticoncepcional oral, deficiências nutricionais, infecção pelo HIV (vírus da
imunodeficiência humana) e outras infecções genitais causadas por agentes
sexualmente transmissíveis como as causadas por Chlamydia trachomatis e Herpes
simples virus (Nonnenmacher, Breitenbach, Villa, Prolla, & Bozzetti, 2001)
Classicamente,
a infecção pelo HPV pode ser dividida em três formas distintas: clínica,
subclínica e latente. A infecção clínica é facilmente detectada à vista
desarmada, como uma verruga. A forma subclínica é a mais freqüente no colo do
útero, correspondendo a 80% dos casos, é diagnosticada com o uso do
colposcópio, após o uso de ácido acético a 5%. A forma latente é identificada
apenas através dos exames de biologia molecular (Castro, Filho, Nascimento,
& Xavier, 2008)
A introdução do exame de colpocitologia
oncótica como teste de rastreamento há cerca de 50 anos resultou em
significativa redução dos índices de mortalidade por câncer cervical, ao redor
de 50% a 70%. Entretanto, as taxas de mortalidade por câncer de cólo de útero
permaneceram inalteradas e até aumentaram em países com poucos recursos para
implantação de programas de rastreamento organizados (Rama, Martins, Derchain, Oliveira, Aldrighi,
& Neto, 2005)
A
identificação da infecção por HPV propriamente dita inclui os métodos
biológicos, como as hibridizações moleculares de ácidos nucléicos, tipo
Southern Blot, captura de híbridos, hibridização in situ e reação em cadeia de
polimerase.(PCR) ) (Rama, Martins, Derchain, Oliveira, Aldrighi, & Neto,
2005).
A detecção do DNA do HPV pela técnica de
reação em cadeia da polimerase (PCR) é essencial para determinar o genótipo de
HPV presente em amostras clínicas de mucosas genitais a fim de avaliar se os
HPVs são de alto ou baixo risco para o desenvolvimento de lesões em cólo de
útero e câncer cervical. Além disso, a determinação do genótipo do HPV auxilia
também na escolha da conduta mais adequada para pacientes infectadas por esse
vírus, sendo também importante para estudos epidemiológicos. (Serravalle, Levi, Oliveira, Queiroz, Dantas,
& Studart, 2015).
A
introdução de testes para a detecção do DNA do vírus do HPV, permitiu confirmar
a importância do HPV, principalmente dos tipos de alto risco, como o principal
fator de risco para o desenvolvimento de neoplasia intra-epitelial cervical e
câncer do cólo uterino. (Nonnenmacher, Breitenbach, Villa, Prolla, &
Bozzetti, 2001).
Recentemente
a espectroscopia Ramam tem emergido como uma ferramenta para aplicações
biomédicas e também pode ser utilizada no diagnóstico do vírus do HPV. Esse
método consiste em uma técnica que usa uma fonte monocromática de luz que, ao
atingir um objeto, é espalhada por ele, gerando luz de mesma energia ou de
energia diferente da incidente. Essa diferença de energia entre a radiação
incidente e a espalhada corresponde à energia com que os átomos presentes na
área estudada estão vibrando e essa frequência de vibração permite descobrir
como os átomos estão ligados, permite saber sobre a geometria molecular, sobre
como as espécies químicas presentes interagem entre si e com o ambiente. As
técnicas espectroscópicas vibracionais são relativamente simples, reprodutíveis
e não destrutivas para o tecido.
Considerando, então, o rápido desenvolvimento
das técnicas moleculares nos últimos anos, as quais são capazes de detectar as
infecções pelo HPV antes mesmo de ser detectado pela análise citopatológica ou
manifestação clínica, é interessante que esses métodos sejam utilizados com uma
maior frequência e até possam ser associados a outros métodos como a
espectroscopia Raman para o diagnóstico do HPV.
Referências Bibliográficas
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Nonnenmacher, B., Breitenbach, V., Villa, L. L., Prolla, J. C.,
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Derchain, S. F., Oliveira, E. Z., Aldrighi, J. M., & Neto, C. M. (2005,
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Rivoire, W. A., Capp, E., Corleta,
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Serravalle, K., Levi, J. E.,
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intra-epitelial de alto grau. Rev Bras Ginecol Obstet .
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