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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

AVALIAÇÃO DO ENVELHECIMENTO DA PELE POR ESPECTROSCOPIA RAMAN

Simone Maria Menegatti de Oliveira

O envelhecimento é um processo dinâmico que afeta todo o organismo é marcado por alterações a nível molecular e estrutural que resultam na aparência envelhecida da pele representada por desidratação, rugas e flacidez (PINTO, 2014). A evidenciação destas alterações de envelhecimento na pele pode ser feita através da utilização da espectroscopia Raman confocal.
Os mecanismos que parecem estar associados com o envelhecimento da pele são complexos (ROBERT & ROBERT, 2003). Sua manifestação deve-se principalmente às falhas de mecanismos de manutenção e reparo da pele (RATTAN, 2004). Estudos em queratinócitos humanos demonstraram expressão alterada de moléculas que regulam o crescimento com a idade. (GILCHREST et al., 1994). A expressão do gene da elastina é acentuadamente reduzida após os 40 a 50 anos, como determinado pelos níveis de RNAm (UITTO, 1979).
É na camada da derme onde ocorrem as maiores modificações no conteúdo de colágeno. A derme papilar representa aproximadamente 10% do total da espessura dérmica sendo formada por fibrilas de colágeno finas com cerca de 20-40 nm de diâmetro. A derme reticular que corresponde a 90 % do total da espessura da derme é constituída por fibras de colágeno espessas em torno de 60-100 nm de diâmetro e é essa região a principal responsável pela biomecânica dérmica, tecido de sustentação e suporte (NGUYEN et al., 2012).
A espectroscopia Raman confocal estuda o efeito Raman, o qual é baseado no espalhamento da luz e foi reportado pela primeira vez em 1928 pelo físico indiano Sir C.V. Raman (1928).
Quando a luz interage com a matéria, podem ocorrer diferentes fenômenos ópticos, entre eles a transmissão, absorção e espalhamento. Se a interação da luz com a matéria for considerada como uma colisão molecular, esta colisão pode ser elástica ou inelástica. No caso de colisão elástica, não ocorre troca energética e os fótons espalhados são detectados na mesma frequência dos fótons incidentes. É o chamado espalhamento Rayleigh. Em contraste, a colisão inelástica envolve trocas energéticas. Se a energia perdida dos fótons for comparada com a dos fótons incidentes, ocorre o espalhamento de Stokes, e o processo contrário é chamado de espalhamento anti-Stokes (FRANZEN & WINDBERGS, 2015).

A Figura 1 mostra um diagrama dos níveis de energia das vibrações moleculares e os fótons correspondentes espalhados.

Fig. 1.  Diagrama de níveis de energia ilustrando diferentes tipos de espalhamento.
Fonte: FRANZEN & WINDBER, 2015.

          Comparada à luz incidente, o espalhamento de Stokes é detectado nos comprimentos de onda longos (baixa energia), enquanto o espalhamento anti-Stokes é detectado em comprimentos de onda curtos (alta energia).
O componente inelástico é o espalhamento Raman. O espalhamento elástico é mais intenso e por isso é necessário existir um filtro óptico e grades de dispersão para reduzi-lo e para aumentar a detecção da fração Raman. Este processo de dispersão é detectado por um CCD (Charge-coupled device), o qual possui alta eficiência quântica e menor ruído eletrônico se comparado com o detector de Germânio utilizados nos sistemas FT-Raman (sistema Raman com Transformada de Fourier), inicialmente usado em investigações de tecidos biológicos (PINTO, 2014).
A espectroscopia Raman confocal é realizada através da objetiva de um microscópio e a luz do laser é focada na região da pele a ser estudada. O sinal Raman é retroespalhado e reorientado para uma abertura, que funciona como filtro. O foco da luz detectada coincide com o foco da objetiva, sendo por isso chamado de confocal. Este sinal filtrado é direcionado para o espectrômetro onde será disperso em um detector CCD, o qual produzirá o espectro (DAS; AGRAWAL, 2011).

Fig. 2. Representação esquemática de microscópio Raman confocal, onde a linha vermelha indica o caminho de excitação da luz de laser e a obtenção do espalhamento Raman.
Fonte: FRANZEN & WINDBER, 2015.

Portanto, cada molécula que compõe a amostra biológica a ser analisada, dá origem a um espectro diferente, dependente do seu modo vibracional (LINDON et al, 2000).
As interações entre os fótons gerados pela luz incidente e as moléculas da amostra resultam em um espalhamento da luz. No caso do espalhamento Raman, uma quantidade bem definida de energia é transferida do fóton para molécula, na qual um modo vibracional é ativado. Uma pequena fração da luz espalhada (o espectro Raman) é encontrado nos comprimentos de onda mais longos do que os da luz incidente. A energia exata necessária para ativar a vibração molecular depende da massa dos átomos envolvidos na vibração e do tipo de ligações químicas entre estes átomos, e pode ser influenciada pela estrutura molecular, interações moleculares, e a química característica da molécula. Isto e o fato que as moléculas podem ter um grande número de modos vibracionais independentes (3N – 6 para uma molécula contendo N átomos), muitos deles podem ser ativados por um evento de espalhamento Raman, significa que o espectro Raman é altamente específico para cada molécula. Portanto as posições, intensidades relativas, e a forma das bandas em um espectro Raman carregam informações detalhadas sobre a composição molecular de uma amostra e sobre as estruturas moleculares e interações presentes (KONINGSTEIN, 1971).
A técnica de espectroscopia Raman confocal utiliza um laser de 785 nm, que incide sobre a pele através de uma lente objetiva do microscópio e permite que, através do espalhamento inelástico de luz, as informações sobre a sua composição bioquímica sejam obtidas em tempo real, em diferentes camadas e com alta confiabilidade e resolução (PINTO, 2014).
A irradiação do tecido biológico pelo laser dá origem a uma energia espalhada pela amostra, a qual tem informações sobre as ligações químicas, podendo determinar o aumento ou decréscimo da quantidade de um dado grupo molecular. Estes dados podem ser monitorados em tempo real, sem nenhuma degradação da amostra (RANIERO et al., 2011),.
A espectroscopia Raman tem mostrado ser uma ferramenta bastante versátil e de grande aplicação na medicina. Muitos estudos na pele já foram realizados com esta técnica, mas existe ainda um vasto potencial científico a ser explorado, considerando que algumas limitações antes existentes foram superadas com o advento desta tecnologia.

Referências Bibliográgicas

DAS, R.S.; AGRAWAL, Y.K. Raman spectroscopy: recent advancements, techniques and applications. Vibrational Spectroscopy. 57, p. 163. 2011.

FRANZEN, L.; WINDBERGS, M. Applications of Raman spectroscopy in skin research — From skin physiology and diagnosis up to risk assessment and dermal drug delivery. Advanced Drug Delivery Reviews 89 (2015) 91–104.

GILCHREST BA, GARMYN M, YAAR M. Aging and photoaging affect gene
expression in cultured human keratinocytes. Arch Dermatol 1994;130:
82-6.
JENSEN JA, GOODSON WH, HOPF HW, HUNT TK. Cigarette smoking decreases tissue oxygen. Arch Surg. 1991; 126:1131-4.

KONINGSTEIN J.A.: Introduction to the Theory of the Raman Effect Dordrecht: D. Reidel Publishing Company, 1971.

LINDON, J.C., TRATER, J.E., HOLMES, J.L. Encyclopedia of spectroscopy and spectrometry. Amsterdã: Elsevier, 2000. P. 1993.

MORITA A. Tobacco smoke causes premature skin aging. J Dermatol Sci. 2007; 48:169–75

NGUYEN, T. T. et al. Characterization of Type I and IV Collagens by Raman Microspectroscopy: Identification of Spectral Markers of the Dermo-Epidermal Junction. Spectroscopy: An International Journal, v. 27, n. 5-6, p. 421-427, 2012.

PINTO, LILIANE PEREIRA. Análise dos efeitos do processo de glicação na pele humana através da espectroscopia raman confocal in vivo. 2014, 108 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Biomédica), Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos, 2014.

C.V. Raman, K.S. Krishnan, A new type of secondary radiation, Nature 121 (1928) 501–502. 

RANIERO L, CANEVARI RA, RAMALHO LNZ, RAMALHO,SANTOS EAP, BITAR RA, JALKANEN KJ, MARTINHO HS, MARTIN AA. In and ex vivo breast disease study by Raman spectroscopy. Theoretical Chemistry Accounts: Theory, Computation, and Modeling. Theoretica Chimica Acta. 2011; 130(46):123947. http://dx.doi.org/10.1007/s00214-011-1027-4

RATTAN SI. Aging, anti-aging, and hormesis. Mech Ageing Dev 2004;125:285-9.

ROBERT L, ROBERT AM. Aging, from basic research to pathological
applications. Pathol Biol (Paris) 2003;51:543-9.

UITTO J. Biochemistry of the elastic fibers in normal connective tissues and its alterations in diseases. J Invest Dermatol 1979;72:1-10

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