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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

PROTEÇÃO DO CABELO HUMANO CONTRA UV-A & UV-B

Ionete Lúcia Milani Barzotto

Um cabelo saudável e brilhante é desejado por todos, no entanto, os mesmos são expostos ao estresse diário e a ação dos raios ultravioleta, o que podem levá-lo a enfraquecer e ficar com uma aparência desagradável. Pesquisas indicam que tanto a radiação UVA quanto a UVB causam danos à fibra capilar. Portanto é de grande interesse a pesquisa no campo de fotoproteção em cabelos.
Assim como a lã e a seda, o cabelo é um polipeptídeo, cuja característica é a unidade de repetição –CO-NH-C-, com grande variedade de grupos no segundo átomo de carbono (SILVA, 2008). O cabelo humano é um filamento queratinizado que cresce a partir de cavidades em forma de sacos chamados folículos, cada um possui seu próprio ciclo de desenvolvimento, que compreende três fases: Anágena, que é a fase do desenvolvimento e do crescimento do cabelo, 85% dos cabelos estão nesta fase de desenvolvimento. Catágena, fase transitória que dura apenas algumas semanas, onde o cabelo para de crescer e não há mais irrigação sangüínea, 1% dos cabelos estão nesta fase. Telógena, fase em que o cabelo cai, sendo empurrado por um novo folículo que nasce no mesmo local (POZZEBON, 1999).
A composição do cabelo é de aproximadamente 95% de proteínas, das quais a principal é a α-queratina, uma proteína de alto peso molecular, composta por cadeias de polipeptídeos formadas por aproximadamente 18 aminoácidos diferentes (SILVA, 2008). Os componentes restantes são água, lipídios (estruturais e livre), pigmentos e elementos traços. Uma característica da α-queratina comparada a outros tipos de proteínas é o grande conteúdo de enxofre (S). Quando duas ou mais α-hélices estão próximas, as cadeias laterais dos aminoácidos de diferentes proteínas criam ligações covalentes enxofre-enxofre, difíceis de serem rompidas, chamadas de ligações dissulfeto (OLIVEIRA, 2014).
Os cabelos são formados por três estruturas básicas: a cutícula, o córtex e a medula. A cutícula é responsável pela proteção das células do córtex, pelas propriedades superficiais (brilho, atrito, penteabilidade, desembaraçamento) e regula a entrada e saída de água. O córtex é responsável pelas propriedades elásticas e resistência mecânica e contém grânulos de melanina que variam em tipo, quantidade e tamanho, sendo responsáveis pela cor e fotoproteção do cabelo. A medula contribui de forma insignificante nas propriedades mecânicas da fibra capilar (CUELHO, 2013).
O cabelo humano contém dois pigmentos principais, a eumelanina e a feomelanina, responsáveis respectivamente pelos tons marrom e vermelho visto nos cabelos.  Um terceiro pigmento conhecido como oximelanina é encontrado no cabelo humano exposto à luz solar, gerado pela fotodegradação da melanina, cuja presença afeta quimicamente a coloração dos cabelos e determina o fotoenvelhecimento da fibra capilar (DRAELOS, 2006).
As melaninas atribuem proteção fotoquímica às proteínas do cabelo, especialmente em baixos comprimentos de onda, onde tanto os pigmentos quanto as proteínas absorvem luz (254 a 350 nm). Os pigmentos atuam absorvendo e filtrando a energia recebida, e subsequentemente dissipando esta energia na forma de calor. Todavia, ao proteger as proteínas do cabelo da luz, os pigmentos são degradados ou oxidados. A melanina age como um dissipador de energia proveniente dos raios solares, atuando como um scavenger (varredor) de radicais livres, prevenindo o transporte de espécies deletérias para a matriz da queratina (NOGUEIRA & JOEKES, 2004).
Alguns pesquisadores demonstraram que cabelo despigmentado é mais suscetível a danos por UV induzido do que cabelo pigmentado, o que significa que a os grânulos de cor oferecem alguma proteção contra danos oxidativos (DRAELOS, 2006; SIGNORI, 2004; PANDE, 2001)). A taxa de ruptura das ligações dissulfeto de cistina causadas pela exposição ambiental é maior em cabelo não pigmentado do que em pigmentado.  Assim, cabelos brancos e cabelos grisalhos são mais suscetíveis aos efeitos nocivos da radiação UV que cabelo pigmentado jovem. Atualmente, a tintura de cabelo é o melhor protetor solar disponível. Protetor solar contendo xampus e condicionadores podem oferecer fotoproteção limitada, na melhor das hipóteses (DRAELOS,2006).
O cabelo humano é constituído de matéria “não viva”, portanto a exposição solar não gera alterações morfofuncionais, como ocorre em neoplasias na pele humana, mas podem ocorrer modificações físicas na fibra capilar, tornando-o mais fraco, tornando-o frágil e menos maleável. O fotoenvelhecimento acarreta ainda a quebra das pontes de dissulfeto, e pode propiciar aumento das ligações cruzadas dessas pontes com peptídeos, tornando o cabelo mais fraco e suscetível a quebras (BALOGH, 2010).
O córtex e a cutícula são sensíveis ao ultravioleta responsável pela alteração da cor, brilho e resistência dos fios. Fibras de cabelos expostas à radiação UV sofrem intensa alteração da morfologia com aumento significativo das rugosidades das cutículas, que demonstra alto índice de quebra das fibras (devido à cisão das pontes de dissulfeto de cistina) e diminuição da espessura com consequente exposição da matriz interna da fibra de cabelo a condições agressivas (RIBEIRO, 2010; DRAELOS,2006). A radiação UV também danifica os lipídios cabelo, assim, o cabelo fotodanificado é seco, frágil e sem brilho (DRAELOS,2006).
O conhecimento atual, no entanto, sobre fotodano em cabelo humano e mecanismos fotodegradação ainda não estão bem elucidado, uma melhor compreensão das alterações estruturais de cabelo causadas por diferentes comprimentos de onda também é ainda deficiente. Há controvérsias sobre os efeitos da exposição ao sol em diferentes tipos de cabelo. Explanações a estas perguntas são freqüentemente sustentadas baseando-se na quantidade e tipo de melanina de cada cabelo, mas fatores tais como a falta de conhecimento da estrutura da melanina, bem como metodologias estabelecidas para usar em estudos de cabelo humano tornam difícil chegar a um acordo geral sobre estas questões (NOGUEIRA et al, 2006).
Até recentemente, a abordagem principal para fotoproteção do cabelo não era diferente do da pele. Protetores solares UV-B e UV-A eram adicionados às preparações concebidas para utilização no cabelo, no entanto, o principal problema com esta abordagem tópica de fotoproteção de cabelo foi a incapacidade de criar uma película uniforme para proteger toda a área da superfície de cada fio de cabelo, outro desafio é a criação de uma formulação de protetor solar que vá aderir a cutícula do cabelo. Além disso, o uso do protetor solar capilar não pode deixar o cabelo oleoso e sem movimento (DRAELOS,2006).
O efeito dos diferentes comprimentos de onda sobre as propriedades de cabelo é um dos principais tópicos discutidos na literatura, bem como os tipos de cabelo mais propenso a fotoxidação, pois esta informação é especialmente importante para escolher os filtros corretos para formular protetores solares para cabelo. Mudanças nas perdas de proteínas e de cor são dependentes no tipo de cabelo, estudos demonstram que a radiação UVB é o principal responsável pela perda de proteína do cabelo e que as alterações de cor são causadas principalmente pela radiação UVA. A quantidade total de aminoácidos mais sensíveis à fotodegradação (triptofano, cistina, tirosina e histidina) depende do tipo de cabelos.  Dentre as técnicas para caracterização de cabelos destacam-se microscopias, espectrocopias e ensaios de tração.
                MICROSCOPIA
A microscopia requer amostragem pequena e mínima preparação, e o cabelo pode ser observado no seu ambiente natural com menos danos do que por outros métodos microscópicos tal como microscópio óptico e eletrônico de varredura (HADJUR, 2001).
                Esta técnica é rotineiramente usada para monitorar a eficiência de limpeza xampus, para avaliar a homogeneidade dos polímeros de camadas, e avaliar as mudanças que eles induzem nas propriedades óptica de superfície do cabelo em termos de opacidade, transparência e brilho. Um segundo campo importante de investigação usa o canal de fluorescência, que revela a estrutura interna do cabelo. As sondas fluorescentes (rodamina e seus derivados) demonstram as vias de penetração e delinear a geometria das células do córtex e da medula de acordo com as suas propriedades hidrófilas ou lipófilas (HADJUR, 2001).
LAGARDE  et al (1994)  usando solução aquosa de  rodamina B  a 1% demonstraram que a  microscopia confocal é um método excelente para o estudo da localização manchas  fluorescentes, sendo  que as imagens obtidas em 3D são de alta qualidade e permitem a visualização da cutícula e seu padrão de distribuição,  e oferecem muito potencial para o futuros trabalhos de avaliação de dermocosméticos. Com o objetivo de investigar a conformação e a orientação das cadeias polipeptídicas, Ackermann et al (2008) estudaram o fio de cabelo por microscopia e Raman. Uma compreensão da espectroscopia de componentes do cabelo abre caminho para a investigação de molecular.

ESPECTROSCOPIA RAMAN
Dentre as técnicas desenvolvidas devido aos avanços tecnológicos ocorridos nas últimas décadas destaca-se a espectroscopia Raman, que é governada por processos de espalhamento de luz pela matéria. Se uma onda eletromagnética atinge a superfície de um meio, uma fração da luz é refletida enquanto que o resto é transmitida para dentro do material. Da parcela da radiação transmitida através da superfície, uma fração desta é absorvida na forma de calor e outra é retransmitida na forma de luz espalhada.
A luz emergente apresenta em seu bojo uma pequena parcela composta de frequências diferentes daquela incidente; o processo que rege este fenômeno recebe o nome de espalhamento Raman. Os processos deste espalhamento inelástico podem ser classificados de duas formas: se a frequência da radiação espalhada for ligeiramente menor que a frequência da radiação incidente, o processo de espalhamento absorve energia, que é retirada do campo de radiação e transformada no meio espalhador. Esse espalhamento é denominado Stokes. Por outro lado, se a radiação espalhada tiver frequência ligeiramente maior que a da radiação incidente, o processo de espalhamento cedeu energia, que foi retirada do meio espalhador e transformada em energia do campo de radiação. Esse espalhamento recebe o nome de anti-Stokes. Quando uma onda eletromagnética atinge um material, seu campo elétrico oscilante imprime deslocamentos nos íons constituintes, gerando momentos de dipolos oscilantes que influem na suscetibilidade elétrica e, por consequência, na polarização do material (RODRIGUES & GALZERANI, 2012).
Espectroscopia Raman é um método não destrutivo com uma gama de possíveis aplicações no campo de pesquisa cosmética. GNIADECKA (1998) analisaram a estrutura da água, proteínas e lipídeos em pele humana, cabelos e unhas intactos. Uma vez que esta técnica é não invasiva, é de particular interesse para a pesquisa da pele e cabelo. Em muitos casos, este método pode ser aplicado tanto in vitro como in vivo para dar direta informações sobre o estado da pele ou cabelo antes e após o tratamento com produtos cosméticos (HADJUR, 2001).
Os dados Raman são de alta qualidade tanto na superfície como na profundidade em pele e em cabelo. As informações 3D gravadas por microscopia confocal Raman é crucial para melhorar a compreensão da pele e do cabelo por análise in situ da composição do produto químico (água, lipídios, proteínas, enxofre e aminoácidos). É também muito útil para a localização espacial de ingredientes cosméticos em substratos em função do tempo (LAGARTE, 1994). Todos estes componentes apresentam características distintivas em espectros Raman, Medidas Raman são relatados em cabelos pigmentados e descoloridos (KUZUHARA, 2003).  Os espectros de Raman podem assim ser utilizados para avaliar as alterações químicas associadas com branqueamento do cabelo, como fizeram Akhtar (1997), diferenças na produção de ácido cisteico de cisteína foram verificadas.
A fim de investigar a influência de tratamentos químicos (redução, aquecimento e,
oxidação) sobre fibras de queratina,  a estrutura do cabelo humano virgem branco resultante a partir de um processo de alisamento permanente cabelo em várias profundidades de amostras transversal foi analisada diretamente sem isolar a cutícula e córtex, utilizando espectroscopia de Raman.  A partir destas experiências, concluiram que o tratamento térmico após o  tratamento alisamento permanente de cabelo causa a randomização de proteínas existentes em toda a região do córtex, contribuindo assim para a aceleração da religação dos grupos de dissulfeto, durante o processo de oxidação.
Pudney et al (2013) descreveram a aplicação da espectroscopia Raman nas fibras do cabelo inteiro, demonstrando ser uma técnica dequada para investigar as propriedades do mesmo devido ao fato de ser uma técnica sensível à estrutura molecular e conformação de proteinas. Inicialmente demostraram as diferenças na composição das proteínas das estruturas do córtex,  e representaram graficamente. A penetração de agentes ativos foi  mostrado em cabelos tratados de maneiras diferentes, por exemplo, pelo branqueamento, ou  com o resorcinol seguido por lavagem e também foi observado o tratamento com um produto para cuidado do cabelo. Em todos os casos, as alterações do cabelo foram identificados e associadas a partes específicas da fibra. Uma vez que a fibra de cabelo é mantida intacta, pode ser tratada repetidamente e medida e, portanto, os processos de tratamento de múltiplas etapas podem ser avaliados.
Fibras de cabelo foram analisadas por espectroscopia Raman para avaliar a adequação de uma gama de comprimentos de onda de excitação para a coleta de dados através de longos períodos de tempo. Considerou-se que o comprimento de onda de excitação ótimo para o detalhe espectral dos testados, foi de 780 nm e que este comprimento de onda resultou em pouca degradação do sinal ao longo do tempo (CARPENTER, 2009).
As medidas realizadas para avaliação da eficácia dos fotoprotetores capilares são: mudanças na coloração, testes de degradação proteica, de decomposição do triptofana, peroxidação lipídica, testes mecânicos de resistência à tração, quimiluminescência e calorimetria exploratória dinâmica de alta pressão (ZULLI, 1996; BALOGH, 2010; FERNANDES, 2011).
Testes de tração mecânico
Teste de cabelo constitui em estudo de tensão a taxa constante (40 mm/min) de fibra de cabelo individualmente.  Talvez a mais intuitiva indicação da força do cabelo envolva a determinação força ou tensão (força por área) requerida para quebra uma fibra individual. A ruputura é dependente das dimensões do cabelo como espessura e tratamentos.
Gao & Bedell (2001) analisaram fibras individuais a uma taxa constante de deslocamento por tempo em ambiente controlado e determinaram que o cabelo suporta ~ 6,8GPa antes de quebrar.
CONCLUSÃO
Produtos com apelo fotoprotetor são importantes na manutenção de cabelos saudáveis.  Esses produtos são produzidos com substâncias catiônicas que apresentam afinidade intrínseca com a fibra, apresentando efeito formador de filme.  No entanto, as dificuldades em relação a mensuração da eficácia desses produtos ainda é uma lacuna a ser preenchida no campo de pesquisa cosmética.

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Plasma Elétrico não térmico e sua ação antimicótica

                                                                                                         Cleverson Marcelo Pilatti

       O plasma não térmico de ar comprimido é um agente antimicótico possível para erradicar  fungos em geral. Em particular tem-se interesse na paracoccidioidomicose (PCM)  por esta ser causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis, é  considerada a infecção fúngica mais importante da América Latina, ocorrendo em regiões subtropicais e tropicais. O Brasil é considerado um centro endêmico dessa doença, com maior prevalência nas regiões sul, sudeste e centro-oeste (MALLUF, MLF 2003) a exposição direta ao jato de plasma que não oferecerá efeitos sistêmicos para o paciente, que são comuns como a toxicidade hepática dada por antimicóticos convencionais (FDA 2013). Em nosso tratamentos de vanguarda, faz-se a aplicação do jato de plasma in vitro em placas colonizadas.
Elucidaremos sobre o plasma de uma maneira simples e didática: Toda faísca é um tipo de plasma é um gás ou mistura de gases ionizados. O termo “plasma” foi pioneiramente empregado na física, para referir-se a um gás parcial ou totalmente ionizado, pelo cientista americano Irving Langmuir em 1929 (LAROUSSI, 2002).
O termo “ionizado” significa que pelo menos um elétron não está ligado a um átomo ou molécula, convertendo-os em íons carregados positivamente. Conforme a temperatura de um ambiente é elevada, as espécies neutras tornam-se mais enérgicas e a matéria é transformada na sequência: sólido, líquido, gás e, finalmente, plasma, o que justifica o fato de ser popularmente denominado de “quarto estado da matéria” (ALKAWAREEK et al, 2012).
Estima-se que mais de 99% da matéria conhecida do universo encontra-se em tal estado por conta de grande estrelas maciças no espaço. A definição preliminar de plasma está restrita aos plasmas gasosos, que consistem em uma mistura de elétrons, íons e partículas neutras, em neutralidade elétrica (equilíbrio entre as cargas negativas e positivas – propriedade conhecida como quase neutralidade) e com certo grau de condutividade elétrica, em contraste com um gás comum, devido à presença de cargas elétricas livres em seus constituintes. Tais cargas são geradas mediante processos de ionização por descargas elétricas, ou por processos de colisão de gases em temperaturas elevadas.
Em geral, os portadores de carga negativa em um plasma são os elétrons, enquanto os portadores de carga positiva são os íons (plasma eletropositivo). Todavia, para gases como o oxigênio (O2), por exemplo, ocorre também a formação de um segundo portador de carga negativa, o íon negativo, uma vez que estes gases têm uma grande capacidade de “capturar” elétrons que possuem baixas energias. Este fenômeno é conhecido por captura de elétrons e os plasmas em que este fenômeno ocorre são denominados eletronegativos.
Ambos os Plasmas podem ser gerados em pressões atmosférica (760 Torr ou mmHg) ou subatmosférica. Dependendo da potência aplicada ao plasma, este pode ser considerado como não-térmico (baixa temperatura, da ordem de ambiente a 1.000ºC) ou térmico (temperaturas acima de 1.000ºC). O uso de plasmas subatmosféricos para a área biológica é frequente em esterilização, porém, o custo dos equipamentos (sistema de vácuo, controle de fluxo e pressão etc.) para sua geração é elevado, o que muitas vezes não justifica o investimento.
 Os plasmas atmosféricos  reduzem bastante o custo do equipamento uma vez que necessitam apenas do controle do fluxo de entrada do gás e dos parâmetros da fonte de excitação do plasma (como frequência e potência). Um outro parâmetro importante a ser considerado para plasmas atmosféricos é a geometria dos eletrodos. Atualmente diversas concepções têm sido utilizadas como por exemplo descargas de barreira dielétrica (DBD), micro-plasmas, jatos de plasma e descargas de arco deslizante (gliding arc) (LAROUSSI, 2002). Cada geometria possui uma capacidade de ionização, geração de espécies reativas e de transferência de calor.

Esquema de produção de plasma por um jato de gás ou ar comprimido:


   Plasma Não térmico em contato com a pele humana:


Foto: Chuck Thomas/Old Dominion University



Geralmente avalia-se qual a melhor geometria para uma dada aplicação. Plasmas elétricos são utilizados para inúmeras finalidades dentro da área médica, como: melhorar a biocompatibilidade de materiais (YASUDA, 1982), tais como lentes de contato, próteses vasculares, cateteres; esterilização de materiais em um período de tempo menor em relação às metodologias convencionais, como exposição ao óxido de etileno, autoclavagem e além de utilizações na cicatrização de feridas, coagulação sanguínea, proliferação celular, incisões cirúrgicas, desinfecção local de tecidos, regeneração tecidual, tratamento de doenças de pele e na inativação de biofilmes (BOGAERTS et al, 2002; KONG, 2009; LAROUSSI, 2009; MORGAN, 2009). Sendo uma opção para uso em materiais que não podem ser submetidos a altas temperaturas e ou pressões atmosféricas aumentadas.
A ação esterilizante do plasma em relação a fungos já foi descrita pela exposição de morangos ao feixe de plasma não térmico. (MISRA N.N et al. 2014).
A utilização do plasma frio não ocasiona destruição do tecido biológico cutâneo como já descrita em inúmeros trabalhos científicos, também comprovada pela aplicação nos tecidos biológicos sensíveis  dos morangos estudados por MISRA N.N et al. 2014).
Além do morango a ação esterilizante pode ser expandida para a inativação de fungos e outros microorganismos cuja terapia convencional ainda não é satisfatória.
PARACOCO BRASILIENSES
A paracoccidioidomicose (PCM) é uma micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasilienses, é considerada a infecção fúngica mais importante da América Latina e 80% dos casos da doença ocorrem no Brasil. (MALLUF, MLF 2003)
As estimativas mostraram em 2001 que cerca de 10 milhões de pessoas foram infectadas em toda a América do Sul. Sendo mais em  homens com idade produtiva. Os órgãos mais afetados pela PCM são os pulmões (PALMEIRO et al., 2005)
A infecção pode ocorrer  por meio de inalação acidental do patógeno pelo hospedeiro, que infecta principalmente os pulmões podendo espalhar-se por todo o corpo, causando lesões mucocutâneas e danos aos órgãos internos (ref). É caracterizada como altamente relevante para a saúde pública, suas manifestações clínicas resultam em deficiências físicas irreversíveis incapacitando o indivíduo, geralmente em sua idade que seria a  mais produtiva(PALMEIRO et al., 2005)

Dentro deste viés, a ação esterilizante fungicida do feixe de plasma não-térmico de ar comprimido pode ser uma solução para inativação do fungo causador da (PCM) dentre outros, se tornando uma nova alternativa para a fisioterapia e a área médica dermatológica.



REFERÊNCIAS


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Gobato Ricardo, et al Maio, 2015;
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(or arXiv:1505.05221v1 [physics.ed-ph] for this version)

AVALIAÇÃO DO ENVELHECIMENTO DA PELE POR ESPECTROSCOPIA RAMAN

Simone Maria Menegatti de Oliveira

O envelhecimento é um processo dinâmico que afeta todo o organismo é marcado por alterações a nível molecular e estrutural que resultam na aparência envelhecida da pele representada por desidratação, rugas e flacidez (PINTO, 2014). A evidenciação destas alterações de envelhecimento na pele pode ser feita através da utilização da espectroscopia Raman confocal.
Os mecanismos que parecem estar associados com o envelhecimento da pele são complexos (ROBERT & ROBERT, 2003). Sua manifestação deve-se principalmente às falhas de mecanismos de manutenção e reparo da pele (RATTAN, 2004). Estudos em queratinócitos humanos demonstraram expressão alterada de moléculas que regulam o crescimento com a idade. (GILCHREST et al., 1994). A expressão do gene da elastina é acentuadamente reduzida após os 40 a 50 anos, como determinado pelos níveis de RNAm (UITTO, 1979).
É na camada da derme onde ocorrem as maiores modificações no conteúdo de colágeno. A derme papilar representa aproximadamente 10% do total da espessura dérmica sendo formada por fibrilas de colágeno finas com cerca de 20-40 nm de diâmetro. A derme reticular que corresponde a 90 % do total da espessura da derme é constituída por fibras de colágeno espessas em torno de 60-100 nm de diâmetro e é essa região a principal responsável pela biomecânica dérmica, tecido de sustentação e suporte (NGUYEN et al., 2012).
A espectroscopia Raman confocal estuda o efeito Raman, o qual é baseado no espalhamento da luz e foi reportado pela primeira vez em 1928 pelo físico indiano Sir C.V. Raman (1928).
Quando a luz interage com a matéria, podem ocorrer diferentes fenômenos ópticos, entre eles a transmissão, absorção e espalhamento. Se a interação da luz com a matéria for considerada como uma colisão molecular, esta colisão pode ser elástica ou inelástica. No caso de colisão elástica, não ocorre troca energética e os fótons espalhados são detectados na mesma frequência dos fótons incidentes. É o chamado espalhamento Rayleigh. Em contraste, a colisão inelástica envolve trocas energéticas. Se a energia perdida dos fótons for comparada com a dos fótons incidentes, ocorre o espalhamento de Stokes, e o processo contrário é chamado de espalhamento anti-Stokes (FRANZEN & WINDBERGS, 2015).

A Figura 1 mostra um diagrama dos níveis de energia das vibrações moleculares e os fótons correspondentes espalhados.

Fig. 1.  Diagrama de níveis de energia ilustrando diferentes tipos de espalhamento.
Fonte: FRANZEN & WINDBER, 2015.

          Comparada à luz incidente, o espalhamento de Stokes é detectado nos comprimentos de onda longos (baixa energia), enquanto o espalhamento anti-Stokes é detectado em comprimentos de onda curtos (alta energia).
O componente inelástico é o espalhamento Raman. O espalhamento elástico é mais intenso e por isso é necessário existir um filtro óptico e grades de dispersão para reduzi-lo e para aumentar a detecção da fração Raman. Este processo de dispersão é detectado por um CCD (Charge-coupled device), o qual possui alta eficiência quântica e menor ruído eletrônico se comparado com o detector de Germânio utilizados nos sistemas FT-Raman (sistema Raman com Transformada de Fourier), inicialmente usado em investigações de tecidos biológicos (PINTO, 2014).
A espectroscopia Raman confocal é realizada através da objetiva de um microscópio e a luz do laser é focada na região da pele a ser estudada. O sinal Raman é retroespalhado e reorientado para uma abertura, que funciona como filtro. O foco da luz detectada coincide com o foco da objetiva, sendo por isso chamado de confocal. Este sinal filtrado é direcionado para o espectrômetro onde será disperso em um detector CCD, o qual produzirá o espectro (DAS; AGRAWAL, 2011).

Fig. 2. Representação esquemática de microscópio Raman confocal, onde a linha vermelha indica o caminho de excitação da luz de laser e a obtenção do espalhamento Raman.
Fonte: FRANZEN & WINDBER, 2015.

Portanto, cada molécula que compõe a amostra biológica a ser analisada, dá origem a um espectro diferente, dependente do seu modo vibracional (LINDON et al, 2000).
As interações entre os fótons gerados pela luz incidente e as moléculas da amostra resultam em um espalhamento da luz. No caso do espalhamento Raman, uma quantidade bem definida de energia é transferida do fóton para molécula, na qual um modo vibracional é ativado. Uma pequena fração da luz espalhada (o espectro Raman) é encontrado nos comprimentos de onda mais longos do que os da luz incidente. A energia exata necessária para ativar a vibração molecular depende da massa dos átomos envolvidos na vibração e do tipo de ligações químicas entre estes átomos, e pode ser influenciada pela estrutura molecular, interações moleculares, e a química característica da molécula. Isto e o fato que as moléculas podem ter um grande número de modos vibracionais independentes (3N – 6 para uma molécula contendo N átomos), muitos deles podem ser ativados por um evento de espalhamento Raman, significa que o espectro Raman é altamente específico para cada molécula. Portanto as posições, intensidades relativas, e a forma das bandas em um espectro Raman carregam informações detalhadas sobre a composição molecular de uma amostra e sobre as estruturas moleculares e interações presentes (KONINGSTEIN, 1971).
A técnica de espectroscopia Raman confocal utiliza um laser de 785 nm, que incide sobre a pele através de uma lente objetiva do microscópio e permite que, através do espalhamento inelástico de luz, as informações sobre a sua composição bioquímica sejam obtidas em tempo real, em diferentes camadas e com alta confiabilidade e resolução (PINTO, 2014).
A irradiação do tecido biológico pelo laser dá origem a uma energia espalhada pela amostra, a qual tem informações sobre as ligações químicas, podendo determinar o aumento ou decréscimo da quantidade de um dado grupo molecular. Estes dados podem ser monitorados em tempo real, sem nenhuma degradação da amostra (RANIERO et al., 2011),.
A espectroscopia Raman tem mostrado ser uma ferramenta bastante versátil e de grande aplicação na medicina. Muitos estudos na pele já foram realizados com esta técnica, mas existe ainda um vasto potencial científico a ser explorado, considerando que algumas limitações antes existentes foram superadas com o advento desta tecnologia.

Referências Bibliográgicas

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Diagnóstico de subtipos do vírus do HPV por diferentes técnicas: Biologia Molecular (PCR) e Raman (espectroscopia)

Taciana Rymsza
            A infecção genital pelo Papiloma Vírus Humano (HPV),é considerada uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns em todo o mundo (Delgado, et al., 2011).O HPV é conhecido por ser a causa do câncer de cólo de útero em mulheres e a sua detecção em testes diagnósticos, como também a comparação da eficácia desses testes é de suma importância para o correto diagnóstico e tratamento da infecção por esse vírus.
                 A infecção do papilomavírus humano de alto risco (HPV) representa atualmente o fator de risco mais importante na gênese do carcinoma de cólo uterino. Estudos caso-controle indicam a presença do HPV associado ao câncer cervical com um risco relativo que varia ao redor de 50 a 150 para os chamados genótipos virais de alto risco, principalmente os mais prevalentes,16 e 18. O tipo de HPV 16, de alto risco oncológico, foi considerado pela IARC (Internacional Agency for Research on Cancer) como definitivamente carcinogênico para a raça humana. (Rama, Martins, Derchain, Oliveira, Aldrighi, & Neto, 2005)
                 O câncer cervical representa o segundo tipo de câncer mais comum em mulheres com idades entre 15 e 44 anos.e embora ainda não esteja claro como os tipos de alto risco são a causa dessa neoplasia, estudos indicam que a transformação maligna envolve os produtos dos genes virais E6 e E7, os quais podem exercer seus efeitos interferindo nas proteínas que regulam o crescimento celular  (Rivoire, Capp, Corleta, & Silva, 2001, p. 182).A grande maioria dos infectados não desenvolve doença na sua forma mais agressiva, indicando que somente a infecção pelo HPV não é suficiente para causar câncer. Alguns fatores como, por exemplo, o tabagismo e estado imunológico da paciente podem ser importantes e colaborar para que a neoplasia possa ocorrer segundo Rivoire, Capp, Corleta, & Silva(2001).
                Os fatores de risco clássicos para a neoplasia de cólo de útero são praticamente os mesmos relacionados à infecção pelo HPV. Dentre eles, destacam-se: início precoce das relações sexuais, vários parceiros sexuais ao longo da vida, paridade elevada (partos não cirúrgicos), mulheres jovens, tabagismo, baixo nível socioeconômico, sendo os dois primeiros fatores os mais consistentes. A literatura cita também fatores de risco considerados menores , como uso de anticoncepcional oral, deficiências nutricionais, infecção pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana) e outras infecções genitais causadas por agentes sexualmente transmissíveis como as causadas por Chlamydia trachomatis e Herpes simples virus (Nonnenmacher, Breitenbach, Villa, Prolla, & Bozzetti, 2001)
                Classicamente, a infecção pelo HPV pode ser dividida em três formas distintas: clínica, subclínica e latente. A infecção clínica é facilmente detectada à vista desarmada, como uma verruga. A forma subclínica é a mais freqüente no colo do útero, correspondendo a 80% dos casos, é diagnosticada com o uso do colposcópio, após o uso de ácido acético a 5%. A forma latente é identificada apenas através dos exames de biologia molecular (Castro, Filho, Nascimento, & Xavier, 2008)
                 A introdução do exame de colpocitologia oncótica como teste de rastreamento há cerca de 50 anos resultou em significativa redução dos índices de mortalidade por câncer cervical, ao redor de 50% a 70%. Entretanto, as taxas de mortalidade por câncer de cólo de útero permaneceram inalteradas e até aumentaram em países com poucos recursos para implantação de programas de rastreamento organizados  (Rama, Martins, Derchain, Oliveira, Aldrighi, & Neto, 2005)
                A identificação da infecção por HPV propriamente dita inclui os métodos biológicos, como as hibridizações moleculares de ácidos nucléicos, tipo Southern Blot, captura de híbridos, hibridização in situ e reação em cadeia de polimerase.(PCR) ) (Rama, Martins, Derchain, Oliveira, Aldrighi, & Neto, 2005).
 A detecção do DNA do HPV pela técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) é essencial para determinar o genótipo de HPV presente em amostras clínicas de mucosas genitais a fim de avaliar se os HPVs são de alto ou baixo risco para o desenvolvimento de lesões em cólo de útero e câncer cervical. Além disso, a determinação do genótipo do HPV auxilia também na escolha da conduta mais adequada para pacientes infectadas por esse vírus, sendo também importante para estudos epidemiológicos.  (Serravalle, Levi, Oliveira, Queiroz, Dantas, & Studart, 2015).
                A introdução de testes para a detecção do DNA do vírus do HPV, permitiu confirmar a importância do HPV, principalmente dos tipos de alto risco, como o principal fator de risco para o desenvolvimento de neoplasia intra-epitelial cervical e câncer do cólo uterino. (Nonnenmacher, Breitenbach, Villa, Prolla, & Bozzetti, 2001).
                Recentemente a espectroscopia Ramam tem emergido como uma ferramenta para aplicações biomédicas e também pode ser utilizada no diagnóstico do vírus do HPV. Esse método consiste em uma técnica que usa uma fonte monocromática de luz que, ao atingir um objeto, é espalhada por ele, gerando luz de mesma energia ou de energia diferente da incidente. Essa diferença de energia entre a radiação incidente e a espalhada corresponde à energia com que os átomos presentes na área estudada estão vibrando e essa frequência de vibração permite descobrir como os átomos estão ligados, permite saber sobre a geometria molecular, sobre como as espécies químicas presentes interagem entre si e com o ambiente. As técnicas espectroscópicas vibracionais são relativamente simples, reprodutíveis e não destrutivas para o tecido.
                 Considerando, então, o rápido desenvolvimento das técnicas moleculares nos últimos anos, as quais são capazes de detectar as infecções pelo HPV antes mesmo de ser detectado pela análise citopatológica ou manifestação clínica, é interessante que esses métodos sejam utilizados com uma maior frequência e até possam ser associados a outros métodos como a espectroscopia Raman para o diagnóstico do HPV.

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